Embora o mercado de criptomoedas já tenha experimentado uma forte correção de preços durante as últimas semanas, especialistas avaliam ainda ser necessária alguma dose de cautela antes de o investidor partir em busca de eventuais oportunidades na "bacia das almas". A forte queda nos preços das stablecoins, puxada pela derrocada dos projetos da TerraUSD e da luna, teve um peso importante para o ajuste sofrido pelo universo cripto de forma mais ampla.
Analistas e gestores dedicados ao tema assinalam, contudo, que, ainda que o evento relacionado às stablecoins possa ter se tratado de um caso mais pontual, fatores que já vinham pressionando tanto o mercado de criptomoedas quanto as ações seguem presentes no cenário. O aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), e o enxugamento da liquidez abundante que impulsionou os mercados desde meados de 2020, é um processo que ainda está apenas no início.
E, com uma inflação pressionada em escala global, acentuada pelas novas restrições de mobilidade na China e pela Guerra da Ucrânia, não apenas o BC norte-americano deve prosseguir com a escalada de aumento de juros como autoridades monetárias de outros mercados desenvolvidos, como Europa e Japão, também devem seguir pelo mesmo caminho.
Em meio à pressão vinda de uma série de frentes, no acumulado do ano, o bitcoin acumula desvalorização de cerca de 38%, enquanto a capitalização do mercado de criptomoedas saiu de um pico acima de US$ 2,5 trilhões, em meados de novembro do ano passado, para negociar atualmente ao redor de US$ 1,25 trilhão. Nesse cenário, por mais que continuem enxergando alto potencial de crescimento a médio e longo prazo, profissionais de investimento têm optado por uma postura de maior cautela.