Geral

Gestores hospitalares temem falta de insumos em Mutirão de Cirurgias

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Foi realizada em Bauru, na tarde desta quarta-feira (15), uma reunião entre o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, e administradores de unidades hospitalares da rede pública e particular da cidade e da região, para esclarecer dúvidas sobre o Mutirão de Cirurgias, que objetiva zerar a fila de operações eletivas ainda este ano. A tônica do encontro acabou sendo a preocupação dos gestores com a possível falta de insumos básicos para a realização das intervenções, como anestésicos e analgésicos. Alguns, inclusive, já relatam que sofrem com a falta dos itens. Gorinchteyn, contudo, afirma que a situação é monitorada e assegura que o programa não será comprometido.

Na reunião, que ocorreu no Departamento Regional de Saúde (DRS-6) de Bauru, também estiveram presentes a diretora do departamento, Fabíola Leão Soares Yamamoto, e a secretária municipal de Saúde, Alana Trabulsi Burgo.

Conforme o JC noticiou, no mês passado, o Governo de São Paulo anunciou o mutirão para zerar a fila que existe atualmente, de mais de 39,1 mil operações na Central de Regulação (Cross) da região de Bauru e de 538,1 mil em todo o Estado. A demanda reprimida envolve 54 procedimentos médicos em sete especialidades, como do aparelho circulatório, visão, digestiva e abdominais, osteomolecular e geniturinário, das glândulas endócrinas e em nefrologia.

PANDEMIA

O represamento do número de cirurgias eletivas aumentou bastante na pandemia, já que as intervenções foram paralisadas. Sem as ações do mutirão, o Estado calcula que levaria cerca de dois anos para atender a todos. Agora, a proposta é acabar com a demanda reprimida até outubro deste ano. Para isso, haverá cirurgias extras na rede estadual, com remuneração dobrada nos hospitais do SUS e a contratação de serviços privados (leia mais abaixo).

E é justamente por conta da elevação do número de atendimentos na rede de saúde como um todo em um curto período de tempo que os gestores demonstraram grande preocupação com a possibilidade da falta de insumos.

Alguns relatam que, inclusive, já sofrem diante da dificuldade em adquirir anestésicos e analgésicos. Ao microfone, um dos gestores chegou a citar que, em uma cidade de 3 mil habitantes, está faltando dipirona intravenosa.

SEM COMPROMETER

Em entrevista ao JC, Jean Gorinchteyn alegou que a situação está sendo monitorada pela Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (CAF) do Estado, e que, se for constatada a possível escassez de algum medicamento, as DRSs serão notificadas para orientar os gestores sobre a substituição do item por outro equivalente, sem comprometer o andamento do programa.

Além da questão dos insumos, o secretário de Saúde e a diretora do DRS de Bauru esclareceram outras dúvidas dos gestores, como o pagamento das cirurgias, tipos de procedimentos médicos contemplados e a divisão de vagas pela Cross.

MANOEL DE ABREU E HC

Em Bauru, somente o recém-inaugurado Hospital Manoel de Abreu e o Hospital das Clínicas, que está em fase de estruturação, não serão integrados, neste primeiro momento, no mutirão.

Mesmo assim, Gorinchteyn ressalta que, caso haja necessidade, o Manoel de Abreu, apesar de não realizar cirurgias por se tratar de uma unidade voltada a casos de menor complexidade e de longa internação, poderá ser usado como retaguarda para o pós-operatório de pacientes.

"Já o HC, poderia sim, mais para frente, se assim avaliar, fazer uma retaguarda cirúrgica de cidades até menores que talvez não tenham uma estrutura hospitalar [necessária] nessa altura. Mas, do ponto de vista cirúrgico, ainda não [vai integrar o mutirão]", conclui o secretário de Estado da Saúde.

Comentários

Comentários