Botucatu - Uma jovem de 18 anos morreu, no início da noite desta quinta-feira (16), no bairro Boa Vista, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), após ser atingida no pescoço por tiro acidental de pistola efetuado pelo irmão, de 28 anos, que é policial civil. Ele disse que havia ingerido bebida alcoólica e que o disparo ocorreu durante manutenção da arma, filmada pela irmã. Autuado em flagrante por homicídio com dolo eventual, teve liberdade provisória concedida pela Justiça nesta sexta (17), na audiência de custódia. O corpo da jovem foi cremado no fim da tarde.
O policial civil Leonardo Matheus Carmello contou a policiais militares acionados para atender a ocorrência de disparo de arma de fogo que estava fazendo a manutenção de sua pistola particular, na cozinha, e que pediu à irmã, Maria Vitória Carmello, para que filmasse o procedimento para posterior envio ao instrutor da Academia da Polícia Civil. Agente papiloscopista, ele faz estágio na Capital e aguarda designação para uma unidade policial.
Segundo a versão dele, durante a retirada do ferrolho (peça que permite que a arma seja engatilhada), a pistola, 9 milímetros, disparou acidentalmente, atingindo sua irmã. O Samu foi acionado e a jovem foi levada ao Pronto-Socorro (PS) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).
Ferida no pescoço, ela passou por cirurgia, mas não resistiu. A arma foi localizada pelos PMs dentro de um guarda-roupa, em um dos quartos, e apreendida para perícia, junto com um carregador, com 17 munições, e uma cápsula deflagrada. De acordo com o registro policial, a arma estava com documentação regular.
FLAGRANTE
No plantão policial, os PMs disseram que o policial estava muito alterado. Em depoimento, ele afirmou que havia ingerido bebida alcoólica. O laudo do Instituto Médico Legal (IML), segundo o BO, apontou que o policial apresentava sinais indicativos de que estava sob efeito de álcool ou de substâncias psicoativas.
Para autuá-lo em flagrante por homicídio com dolo eventual, a Polícia Civil considerou que ele assumiu o risco de produzir o resultado (morte) ao ingerir bebida alcoólica, ao manusear a arma apontada na direção da irmã e ao não verificar se havia munição na câmara antes de acionar o gatilho para retirar o ferrolho.
Ontem, durante audiência de custódia, a Justiça concedeu a liberdade provisória ao policial civil, fixando algumas medidas cautelares. Com isso, ele responderá ao processo em liberdade. O caso segue sob investigação. O corpo de Maria Vitória foi cremado às 16h30, no Crematório Memorial Botucatu.