Política

Vale: vereadores apoiam o reajuste, mas dizem que revisão é eleitoreira

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Após o anúncio feito pela prefeita Suéllen Rosim (PSC) de que aumentará em 60% o vale-alimentação dos servidores da Prefeitura de Bauru, os vereadores Estela Almagro (PT) e Eduardo Borgo (PMB) criticaram não o aumento, mas a momento em que foi concedido, classificando a decisão de eleitoreira. O projeto de lei com a alteração de R$ 625,00 para R$ 1.000,00 será discutido e votado na Câmara Municipal. A prefeitura defende que a decisão foi pautada em estudos que apontaram a possibilidade, e no objetivo de valorização dos servidores.

Para Estela Almagro, embora o reajuste seja positivo, considerando a situação econômica do país, ele deveria ter sido dado durante as discussões do dissídio, há meses, quando o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) reivindicava um valor bem menor, que foi negado pela prefeitura.

Por isso, a vereadora defende que seja concedido reajuste de forma retroativa para todos os servidores, desde janeiro deste ano. Ela utiliza matéria do Jornal da Cidade (16 de julho), para demonstrar que a gestão possui recursos para a escalada de reajuste, pois anunciou a arrecadação, até maio deste ano, de 15% a mais no orçamento que no mesmo período de 2021.

A vereadora também associa o aumento do auxílio à possível candidatura a deputada estadual da mãe da prefeita, Lúcia Rosim. "Não podemos nos esquecer que estamos em ano eleitoral e a dita valorização do servidor, travestida de bondades, reveste-se em campanha que pode direcionar votos para a mãe da prefeita que se declara candidata a cargo eletivo. Afinal, o pagamento retroativo desses valores se mostra ínfimo diante da arrecadação do governo municipal no curso dos 18 meses de governo, discussão esta que de fato demonstraria a valorização dos servidores que contribuem para o crescimento da nossa cidade", considerou Estela.

Cálculos apresentados pela parlamentar dão conta que para o quadro divulgado de servidores municipais, atualmente cerca de 6.700, sendo o valor mensal da folha de R$ 4.187.500,00, o aumento de R$ 375,00 proposto resultaria em R$ 12.562.500,00. "Bandeira que irei levantar durante as discussões na tribuna e provocarei o debate com os demais vereadores", garantiu.

EMDURB, DAE,

COHAB E FUNPREV

Embora afirme que, assim como Estela, votará a favor do reajuste, Eduardo Borgo (PMB) opina que a medida busca conseguir o apoio dos servidores em um momento que a prefeita se sente, segundo ele, ameaçada pela possibilidade de ser submetida a um novo pedido de Comissão Processante, que pode levar à cassação de seu mandato.

Ele defende que o reajuste teria que ser extensivo aos órgãos da administração indireta. "Foi uma medida de desespero, frente à possibilidade de ser cassada. Porém, não avaliou que esse aumento seria necessário à Emdurb, DAE, Cohab e Funprev. Isso poderá trazer problemas ao município, mesmo porque trata-se de uma antecipação e não de aumento. Irei cobrar que seja extensivo às demais categorias", afirmou.

O vereador também lembrou da reivindicação feita pelo sindicato, bem inferior ao que foi anunciado agora para associar ao fato de que um novo pedido de Processante deve ser apresentado na sessão desta segunda (20), de acordo com ele. "No início do ano a prefeita não aceitou a proposta do sindicato e agora apresenta esse aumento quatro dias antes de um uma sessão legislativa que poderia vir a cassar seu mandato. A prefeita brinca de administrar", afirmou Borgo.

OUTRO LADO

A assessoria da prefeitura informou que a decisão do reajuste foi tomada considerando dois pontos principais: a análise de orçamento que mostrou a possibilidade sem riscos para os cofres públicos, e ainda a tentativa de valorizar o servidor municipal considerando a defasagem de salários existente em muitas categorias, cuja revisão ainda não pode ser promovida, além do momento econômico.

O aumento do auxílio-alimentação teria sido uma alternativa para garantir a permanência nos quadros da prefeitura de profissionais experientes, atraídos pelo mercado privado, e atrair outros que estão na iniciativa privada.

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