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Líder da oposição pede abertura de inquérito contra Bolsonaro

Por Fábio Serapião e José Marques | FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), entrou nesta sexta-feira (24) com uma petição no STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir a abertura de um inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta interferência na operação da Polícia Federal contra o ex-ministro Milton Ribeiro, investigado por suspeita de corrupção e favorecimentos ilícitos na distribuição das verbas do Ministério da Cultura.

Uma interceptação telefônica feita pela PF sugere que Milton tenha sido comunicado por Bolsonaro sobre uma possível busca e apreensão contra o ex-ministro.

"Estamos presenciando um ataque às instituições e o escancaramento da corrupção. Uma conduta gravíssima de interferência na autonomia de um órgão que deve agir com independência na apuração dos fatos", disse Randolfe.

O magistrado, da Justiça Federal do Distrito Federal, deu a decisão após o Ministério Público Federal apontar "indício de vazamento da operação policial e possível interferência ilícita por parte do presidente da República Jair Messias Bolsonaro nas investigações".

Após suspeitas de interferência do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas apurações, o juiz Renato Coelho Borelli enviou os autos das investigações sobre o ex-ministro Milton Ribeiro e pastores suspeitos de atuarem no Ministério da Educação para análise do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em interpretação telefônica que captou conversas do ministro, Ribeiro afirma que "ele acha que vão fazer uma busca e apreensão... em casa... sabe... é... é muito triste". O "ele" seria o presidente. 

Nos diálogos interceptados, o ex-ministro afirma que teme a medida. 

Além dessa conversa telefônica, outro motivo para a remessa foi a mensagem enviada a colegas pelo delegado federal responsável pelo pedido de prisão de Milton Ribeiro, de que houve "interferência na condução da investigação".

Bruno Calandrini diz no texto que a investigação foi "prejudicada" em razão de tratamento diferenciado dado pela polícia ao ex-ministro do governo Jair Bolsonaro.

A Procuradoria cita que o ex-ministro "não foi conduzido [de São Paulo] ao Distrito Federal (não havendo sido tampouco levado a qualquer unidade penitenciária)".

Milton Ribeiro foi preso preventivamente na última quarta (22) por decisão de Borelli e solto um dia depois, após determinação do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). Também foram presos, entre outros, os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, ambos ligados a Bolsonaro. Todos já liberados por habeas corpus.

OUTRO LADO

Em nota, o advogado do ex-ministro, Daniel Bialski, disse que recebeu com surpresa a decisão da remessa dos autos para o STF.

"Observando o áudio citado na decisão, causa espécie que se esteja fazendo menção a gravações/mensagens envolvendo autoridade com foro privilegiado, ocorridas antes da deflagração da operação", afirmou o advogado, em nota.

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