Política

Boulos: 'É razoável que PSOL apoie Haddad, mas sigla deve ser valorizada'

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Ainda segue incerto o apoio do PSOL à pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo do Estado. Em visita a Bauru nesta semana, o professor universitário Guilherme Boulos (PSOL), pré-candidato a deputado federal e presidente da federação partidária PSOL-Rede, defendeu a necessidade de construir "uma unidade das forças progressistas paulistas" para as eleições deste ano, mas ponderou que o reforço do partido à chapa do ex-prefeito de São Paulo está, até o momento, condicionado à garantia de espaço para a sigla dentro da coligação.

"É razoável que o PSOL se some ao Haddad, mas que o partido seja valorizado. Existem duas vagas na chapa majoritária: ao Senado e a vice-governador. E é razoável que o PSOL tenha espaço na composição desta chapa, ocupe o espaço que corresponde ao tamanho do partido", defende, destacando, entre os feitos da sigla, o fato de ter participado do segundo turno na última disputa à prefeitura da Capital, em 2020, quando Boulos, com 40% dos votos válidos, foi derrotado por Bruno Covas.

"Também temos uma bancada forte na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, por São Paulo", acrescenta. A definição sobre a composição da chapa tem se arrastado porque também segue incerta a posição que Márcio França (PSB) ocupará nestas eleições. A intenção dos petistas é convencê-lo a disputar uma cadeira no Senado e abrir mão da candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, deixando o caminho livre para Haddad.

"O ideal era que já tivéssemos uma chapa completa no Estado de São Paulo, mas é preciso respeitar a posição do Márcio. Espero que a gente tenha condições de construir uma unidade de todas as forças progressistas de São Paulo", pondera Boulos.

PRIORIDADE

Ele, que também é coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), esteve em Bauru na última terça-feira (21) para um encontro com estudantes e professores da Unesp e para lançar a criação do grupo de ação Lula Boulos na cidade, direcionado à sua campanha a deputado federal.

No Espaço Café com Política, do JC, Guilherme Boulos disse, contudo, que a prioridade é eleger Lula à presidência e tirar Jair Bolsonaro do poder, condição considerada por ele fundamental para que o País possa voltar a crescer, gerar empregos e garantir comida no prato às famílias de menor renda.

"Mas, se mantivermos um Congresso Nacional dominado pelo Centrão e pela direita, as propostas para mudar o Brasil não irão avançar, como as revogações dos retrocessos da Reforma Trabalhista e do teto de gastos para termos investimentos em saúde e educação. Mais do que nunca, para reconstruirmos o País, precisamos de uma bancada grande que represente os interesses populares no Congresso, e não os lobbies. E é por isso que coloquei meu nome à disposição", completa.

Daqui a dois anos, Boulos deve lançar sua candidatura à prefeitura de São Paulo, tendo em vista a votação expressiva que obteve em 2020. Seu nome terá o apoio do PT, o que já foi confirmado por Lula. "Os 2 milhões de votos que obtivemos na Capital já demonstravam um desejo de mudança e espero que isso se traduza agora em 2022 e, depois, nas eleições de 2024", conclui.

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