Economia & Negócios

Inflação de frutas e legumes provoca mudanças no cardápio

Leonardo Vieceli
| Tempo de leitura: 2 min

Substituir frutas, legumes e verduras, pesquisar mais os preços e reduzir idas a restaurantes. Em tempos de carestia dos alimentos, essas medidas passaram a fazer parte da rotina da economista Luiza Botelho de Souza, 32 anos. "Você tem a sensação de que o dinheiro compra cada vez menos. Então, faz substituições de produtos. Às vezes tenta trocar uma hortaliça por uma verdura que custa menos", aponta Luiza, que é vegetariana.

Um dos preços de alimentos que mais assustaram a consumidora foi o da cenoura. Em 12 meses, até abril, o item acumulou inflação de 195% no País, segundo o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15). No IPCA-15, calculado pelo IBGE, o tomate também registrou alta superior a 100% em 12 meses. Até abril, a disparada foi de 117,48%.

Abobrinha (86,83%), melão (63,26%), repolho (59,38%), melancia (52,64%) e pimentão (50,18%) tampouco escaparam da carestia. Morango (46,79%), alface (46,22%), mamão (40,33%) e batata-inglesa (38,68%) são outros alimentos com avanços expressivos no mesmo período.

"Comparar preços de um produto é um processo que o consumidor já fazia. Agora, há um incremento. Mais do que comparar preços de um produto em locais diferentes, há uma busca por novas escolhas, por alimentos que estejam mais baratos", diz Ricardo Laurino, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). "Por exemplo, se antes você comia mais laranja, vai lá e passa a comer mais mexerica [tangerina]. Tem produtos com características similares", completa.

Para ele, entre os alimentos, a inflação do tomate foi a que mais chamou atenção. "Em vez de comprar oito, a gente compra dois ou três agora. A gente dança conforme a dança da inflação", relata Laurino.

Com a pressão no bolso, a influenciadora digital vegana Amanda Goulart, 27 anos, também intensificou a procura por preços mais em conta e buscou substituir alimentos quando possível. "Procuro consumir mais frutas e verduras da estação para ter preços mais acessíveis, além de não desperdiçar comida", afirma Amanda, que é moradora de Florianópolis.

"Não deixei de consumir, mas, antes, usava mais a cenoura nas receitas. Hoje, reduzi. Busco os nutrientes em outros alimentos."

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