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Casos de violência praticada contra idosos mais que dobram em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Por mais que tenham conquistado visibilidade e direitos ao longo das últimas décadas, os idosos continuam sendo uma população vulnerável, inclusive dentro do ambiente doméstico. É o que apontam os números da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

No primeiro semestre deste ano, 189 idosos vítimas de vários tipos de violência foram inseridos nos serviços oferecidos pela pasta, mais que o dobro do total registrado no mesmo período do ano passado, quando 76 pessoas foram atendidas. Somente os casos de negligência ou abandono saltaram de 53 para 128 registros.

O dado traz um alerta para este Junho Violeta, mês dedicado à conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa. A escolha deve-se ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra esta parcela da população, celebrado no último dia 15.

Titular da Sebes, Ana Sales analisa que a alta expressiva de casos que chegaram ao conhecimento da pasta está relacionada ao aumento das denúncias e não propriamente à intensificação dos conflitos dentro dos lares. "Em 2021, ainda estávamos em um período de isolamento, em razão da pandemia, o que pode ter dificultado a formalização de denúncias", pondera.

A secretária explica que, normalmente, as queixas são feitas por parentes ou vizinhos, que percebem que o idoso está sendo vítima de algum tipo de violência. A mais comum é a negligência ou abandono, em que pessoas da Terceira Idade - principalmente as que possuem mais de 70 anos e já começaram a perder autonomia - são encontradas em condições precárias de higiene, alimentação, medicação ou outros de cuidados que possam contribuir para a qualidade de vida deles.

MAIS FREQUENTES

Este tipo de situação totalizou quase 68% das ocorrências registradas de janeiro a junho de 2022. As demais - 61 casos - são relacionadas à violência física, sexual e psicológica, sendo esta última a mais predominante.

"Ou seja, o mais comum é a dificuldade dos familiares em lidar com o idoso, que vai ficando mais dependente e demanda um cuidado maior. Temos equipes que ensinam sobre os cuidados diários com este parente e também buscam fortalecer os vínculos entre os moradores da casa. A ideia é que não haja o rompimento do convívio e a família é acompanhada até termos certeza de que está tudo bem. Já o acolhimento do idoso em uma instituição só deve ocorrer nos casos mais graves, como os de risco ou concretização de violência física ou sexual, por exemplo", comenta.

Nas situações em que é possível restabelecer uma convivência harmônica e segura para a vítima, o atendimento é feito por profissionais do Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias (Seid) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

CASAS DE REPOUSO

Sales explica que a Sebes não realiza fiscalizações em residenciais geriátricos ou casas de repouso, trabalho que é executado pela Vigilância Sanitária e pelo Conselho Municipal da Pessoa Idosa (Comupi). Quando alguma irregularidade sobre a conduta contra os assistidos é identificada, o caso, normalmente, é encaminhado ao Ministério Público (MP).

Presidente do conselho, Dalva Maria da Silva detalha que as visitas são feitas ao longo do ano nas 32 unidades cadastradas no município, além de entidades assistenciais que atendem o público da Terceira Idade. Ao final, um relatório de todas as vistorias é elaborado e entregue ao MP.

"As casas de repouso estão bem organizadas. Não temos detectado irregularidades no atendimento aos idosos. Mas o conselho também acaba recebendo denúncias de violência dentro de casa, que encaminhamos para o Creas, e temos percebido um aumento de problemas relacionados à apropriação indevida do benefício de aposentados ou pensionistas por parentes. Creio que esta alta é reflexo da crise econômica, que levou muitas famílias a depender exclusivamente deste recurso", pontua.

SERVIÇO

Denúncias sobre casos de violência contra idosos podem ser feitas de maneira sigilosa - sem necessidade de identificação - na Sebes, pelo telefone 3234-1090, ou pelo Disque 100.

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