Para o ex-prefeito de Bauru e ex-deputado federal Tidei de Lima, a situação delicada da prefeita Suéllen Rosim (PSC), que enfrenta uma Comissão Processante com poderes para cassar seu mandato, é resultante da falta de traquejo dela junto ao Legislativo. Tidei participou do programa Café com Política, na última sexta-feira (24), quando avaliou que, como a comissão foi instaurada, o melhor caminho para a chefe do Executivo preservar sua imagem política é enfrentar o processo e mostrar não ter cometido qualquer irregularidade.
HISTÓRICO
Na opinião do convidado do programa, o histórico de cassação de outros prefeitos na cidade poderia ter auxiliado Suéllen Rosim na tomada de decisões. "Acho que a prefeita conhece pouco a história de Bauru. Se ela se debruçasse, tivesse uma convivência com a vida da cidade ao longo destes anos todos, veria que já tivemos cassação de prefeitos. São coisas semelhantes as que estão acontecendo do ponto de vista da mecânica. Ela, por exemplo, não poderia ter deixado a Câmara tão solta, faltou articulação, um líder de peso e líder da oposição com quem ela pudesse conversar, chamar na prefeitura e dizer: eu quero trabalhar conjuntamente", ponderou.
GABINETE
Segundo Tidei de Lima, sua experiência como ex-prefeito reforça a importância do chefe de gabinete em situações como a vivida pela prefeita. "Tem papel muito importante. A política tem que ser feita com conversa, não com guerra. Acho que falta para ela muita conversa", afirmou.
Para o ex-prefeito, é preciso ter cuidado com a imagem do governo antes de qualquer decisão. "Gastar R$ 34 milhões no apagar das luzes para comprar prédios, sem ter plano, dá margem para especulação. Pode não ter ocorrido qualquer ilícito, mas administrativamente é condenável. Ela deveria entrar com tudo na Processante e provar que estava certa para sair fortalecida", disse.
ZELADORIA
Tidei também não concordou com a escolha do investimento. "A prefeita fez campanha pela zeladoria e a cidade não está sendo zelada. Temos a Estação (Ferroviária) que é ligada à Secretaria de Educação. Poderia ter gasto boa parte destes R$ 34 milhões na Estação. Recuperaria um símbolo da cidade, pagaria menos aluguel, integraria com calçadão", acrescentou.
Falta, em sua opinião, proximidade com os problemas da cidade. "Tenho a impressão que a prefeita é muito ligada à rede social, então ela fala bem, é jornalista, tem boa imagem, mas o retorno (que recebe da população) é pequeno para (ela) saber realmente qual é o problema. Eu andava muito pela cidade, ia às vilas, conversava, ia ao boteco, tomava guaraná, cerveja. Precisa andar, ter contato com o povo, sentir e ouvir mesmo. Não só querer que o povo ouça o que você vai falar, tem que ouvir".