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5, 7 ou 10 dias? Diferentes períodos de isolamento para Covid confundem

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A nova onda de contaminações pelo coronavírus tem trazido dúvidas sobre questões já vivenciadas durante a fase mais aguda da pandemia, mas que, diante da evolução das pesquisas no campo médico, sofreram alterações. O isolamento, por exemplo, é algo que tem gerado muita confusão na população, com prazos que, hoje, variam de 5, 7 e 10 dias.

Infectologista das redes pública e privada e atuante na linha de frente no combate à pandemia, o médico Taylor Endrigo Toscano explica que as três recomendações de tempo existem e estão corretas. Contudo, ele pondera que elas precisam ser utilizadas com cuidado e com observância das especificidades de cada caso.

Os três períodos, inclusive, constam no Guia de Vigilância Epidemiológica Covid-19 do Ministério da Saúde.

DIFERENÇAS

Para casos confirmados de Covid-19, o isolamento preconizado pelo Ministério é de 10 dias a partir da data de início dos sintomas. No entanto, o período pode ser reduzido para 7 ou 5 dias em algumas situações.

Para que a liberação ocorra no sétimo dia, basta que o paciente não apresente mais sinais da doença. Neste caso, não é preciso testar. Mas se passados 7 dias e a pessoa ainda tiver sintomas, ela poderá fazer o exame. Se der negativo, o isolamento pode ser deixado. Porém, caso positive para Covid-19, é preciso seguir afastada até o décimo dia. Há ainda a possibilidade de redução do isolamento domiciliar para 5 dias, mas é preciso que o paciente tenha acesso a testes do tipo RT-PCR ou Rápido de Antígeno (TR-Ag). Neste caso, o afastamento poderá ser suspenso no quinto dia completo do início dos sintomas, se a pessoa não apresentar mais sinais da doença e o resultado do exame der negativo para a Covid-19.

Mesmo diante das liberações antecipadas, é preciso se comprometer a continuar seguindo de forma rígida o uso de máscara e regras sanitárias até o décimo dia.

Em Bauru, a Saúde municipal diz que tem adotado a emissão de atestados de 10 dias e orienta os pacientes a retornarem para a unidade médica no sétimo dia de afastamento para repetir o teste. Se o exame resultar negativo para Covid-19, o paciente é liberado. Se o resultado for positivo para a doença, a pessoa deve continuar em isolada até o décimo dia.

PONDERAÇÕES

Sobre o isolamento de 5 dias, Taylor explica que o tempo em questão tem sido concedido de forma cuidadosa e criteriosa por médicos. "É mais para situações específicas, como no caso em que a pessoa impreterivelmente precisa retornar ao trabalho", cita o infectologista.

Isso porque há risco de um falso-positivo. "Pesquisas apontam que 17% das pessoas ainda podem transmitir o vírus após o quinto dia de infecção. Então, se este período for seguido, é extremamente necessário o respeito às recomendações sanitárias e o uso contínuo de máscaras seguras, como a N95", comenta Taylor. Quanto ao isolamento de 7 dias, o médico explica que o risco de a pessoa contaminar outras cai para 8%. E, embora o índice seja mais baixo, as medidas sanitárias e uso de máscaras também precisam ser mantidos à risca até o décimo dia.

"Via de regra, os médicos concedem 7 dias de atestado e a pessoa, se estiver sem sintomas, pode sair do isolamento no oitavo dia sem realização do exame", frisa Taylor.

Quanto ao período de 10 dias, o infectologista considera que a taxa de transmissão cai para menos de 2%. "Esse período maior é concedido especialmente aos pacientes que, se saírem do isolamento, terão contato com imunossuprimidos, por exemplo", comenta Taylor. Isso porque, mesmo após 10 dias, a transmissão do vírus ainda é possível - mas as chances, pequenas.

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