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Após estabilização de muro, 'chovem' reclamações sobre obras no Manacás

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Após o término da obra emergencial que neutralizou o problema no muro de contenção e permitiu a desinterdição de 16 imóveis do Residencial Manacás, no Nova Esperança, o serviço foi alvo de uma 'chuva' de reclamações pelos moradores. Eles relatam que ainda se sentem ameaçados pela inclinação e rachaduras que a parede apresenta, e também cobram providências em relação às vagas de estacionamento que foram comprometidas por conta da intervenção. Em nota, a Caixa Econômica Federal afirmou que ainda elabora os projetos para licitação da estrutura definitiva (leia mais abaixo).

Conforme o JC noticiou, o muro de 4 metros, que faz a contenção da terra sob o estacionamento do residencial, amanheceu inclinado, em 31 de maio último. Ele corria o risco de romper e liberar cerca de 100 toneladas de terra e barro sobre 16 apartamentos dos blocos 17 e 18. Na data, os imóveis ameaçados foram interditados pela Defesa Civil Municipal e 15 dessas famílias decidiram ir para hotéis, custeados pela Caixa Econômica Federal, responsável pelo empreendimento, até que o problema fosse resolvido.

A desinterdição, contudo, só ocorreu no último dia 10, após o término de uma obra emergencial realizada por uma construtora contratada pela Caixa. Grande parte da terra do estacionamento foi retirada e os taludes abertos foram concretados, com saídas para drenagem da água da chuva. Dessa forma, a parede continuou inclinada, porém, sem a pressão da terra, o que, segundo a Defesa Civil, assegura que o muro não ofereça mais risco de queda.

INSATISFAÇÃO

Porém, a solução emergencial gerou bastante insatisfação entre os moradores. A reportagem do JC esteve no condomínio na tarde de quinta-feira (24) e constatou que cerca de 15 vagas de estacionamento foram comprometidas pela retirada da terra.

A autônoma Soraia Ramos, de 47 anos, é uma das motoristas que ficou sem ter onde parar o próprio carro. Desde que as intervenções relacionadas ao muro inclinado começaram, ela conta com a solidariedade de vizinhos em ceder suas vagas para que ela consiga estacionar.

"Já tem os problemas que enfrentamos desde que chegamos aqui, como vazamentos, alagamentos, infiltrações, falta de energia e água. E, agora, mais esse. E a Caixa nos deixa no escuro. Queremos saber quando vão resolver isso aqui definitivamente. Em resumo, é um sonho que virou pesadelo. Nós sonhamos tanto e, quando pensamos que estaríamos em um lugar em paz, seguros, descobrimos que não estamos. Nos tiraram da área de risco, e olha a situação que estamos vivendo aqui hoje. É muito descaso", relata, bastante emocionada.

'MUITO MEDO'

Já a diarista Maria de Fátima Romão dos Santos, de 57 anos, que reside em um dos apartamentos que foi interditado por conta do risco oferecido pelo muro inclinado, relata o medo de que o dispositivo tombe mesmo após a obra emergencial, em caso de uma chuva forte, por exemplo.

"A parede está bastante curvada na direção dos apartamentos e as rachaduras não param de aumentar. E, na situação que isso está, se bater uma enxurrada forte, vai derrubar o muro. Sem contar que um dos drenos feitos está bem em frente a parede do meu apartamento e também em um dia de chuva forte com certeza fará algum estrago. Isso se ele já não estiver entupido, porque já estão jogando um monte de lixo no buraco (talude) lá em cima", alerta a diarista.

SOBRE O MANACÁS

Localizado na quadra 14 da rua São Sebastião, o Manacás foi entregue em julho do ano passado a famílias ligadas à faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida - hoje, Casa Verde e Amarela, cuja renda mensal não passa de R$ 1,8 mil. Dos 288 apartamentos, 144 foram destinados a pessoas que residiam em áreas de risco em Bauru. Dez dias após evento de inauguração, os moradores já reclamavam de problemas estruturais no local, como infiltrações, falta de energia e rachaduras.

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