Quito - O presidente do Equador, Guillermo Lasso, reduziu o preço dos combustíveis, questão que detonou a onda de 15 dias de protestos no país e deixou ao menos sete mortos. Mas a decisão não arrefeceu os atos, que seguem com bloqueios em estradas, deixando a produção de petróleo em situação crítica.
"Esta decisão é insuficiente, é insensível", afirmou a poderosa Conaie (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador), depois de Lasso anunciar, na noite de domingo (26), uma redução de US$ 0,10, levando o preço do diesel a US$ 1,80, e o da gasolina, a US$ 2,45. Os manifestantes, no entanto, exigem que o governo reduza os preços a US$ 1,50 para o galão de diesel e US$ 2,10 para o de gasolina comum.
CONVERSA
A decisão do Executivo "não se solidariza com a situação de pobreza enfrentada por milhões de famílias", afirmou nesta segunda-feira (27) a Conaie, em comunicado assinado por seu líder, Leónidas Iza, acrescentando que "a luta não para (...)".
Lasso, no poder há um ano, está encurralado pelas manifestações e pela oposição, que discute sua possível destituição. Os bloqueios nas estradas e a apreensão de mais de mil poços deixaram o setor de petróleo, principal bem de exportação do Equador, em crise. Se as manifestações continuarem, o país pode parar de produzir o item nas próximas 48 horas, segundo o governo, que registrou perdas de US$ 500 milhões no setor estatal petrolífero e no privado de flores, laticínios, turismo e outros negócios.
Além da redução no preço dos combustíveis, o líder equatoriano também retirou medidas de segurança impostas para conter os protestos e anunciou a oferta de fertilizantes subsidiados e o perdão de dívidas.
Quase 14 mil indígenas protestam em todo o país para exigir medidas que aliviem a pobreza em suas terras agrícolas, e quase 10 mil manifestantes foram até a capital.