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Com só 2 vagas mensais, fila por ressonância vira 'pesadelo'

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Com lesões no ombro que a afastaram do trabalho como cozinheira, Valdirene Gomes da Silva, de 49 anos, aguarda há um mês e meio o agendamento de uma ressonância magnética para poder, enfim, operar e voltar à rotina. Assim como ela, vários bauruenses seguem na fila por exames do tipo. Segundo a Prefeitura de Bauru, a demanda reprimida atual é de 85 pacientes. O Executivo municipal atribui o problema à baixa quantidade de vagas que, atualmente, é liberada pela Secretaria de Estado da Saúde à cidade: entre uma ou, no máximo, duas mensais.

Todas essas pessoas na fila foram encaminhadas para a ressonância por unidades de referência da saúde municipal, mas, após meses de espera, ainda não conseguiram acesso ao procedimento, que é realizado pelo Estado.

A pasta estadual, por sua vez, diz que acompanha o caso da paciente citada nesta reportagem, mas não detalha sobre a demanda reprimida e nem em relação ao baixo número de vagas mensais ofertadas.

'MISSÃO IMPOSSÍVEL'

Enquanto isso, Valdirene da Silva reclama das batalhas diárias que tem travado, especialmente contra as dores. "Tenho vivido à base de Tramal (opioide usado como analgésico), o que é muito complicado. E estou desde dezembro sem poder trabalhar, com o preço das coisas só aumentando no mercado. Está complicado, porque tenho dependido dos outros para viver, não consigo nem levantar uma colher com o braço direito mais. Trocar de roupa sozinha virou uma missão praticamente impossível", comenta a mulher.

Ela conta que descobriu o tendão e outros dois ligamentos do ombro rompidos em 11 de dezembro do ano passado, cerca de sete meses depois de ser diagnosticada com bursite em uma Unidade Básica de Saúde. No entanto, apenas em maio de 2022, é que a consulta com o ortopedista foi finalmente obtida, no Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Na ocasião, Valdirene Silva foi alertada pelo médico especialista sobre a necessidade de intervenção cirúrgica, mas, antes, seria necessária a realização da ressonância magnética.

"Quando fui diagnosticada com a bursite era para terem me encaminhado para a fisioterapia, mas, mesmo diante das minhas cobranças, isso nunca aconteceu. Agora, piorou e preciso da cirurgia, mas a ressonância é necessária e, nem mesmo com tudo o que passei, eles liberam o agendamento", reclama a paciente.

'ACOMPANHAMENTO'

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde diz que o AME de Bauru acompanha o caso da paciente em questão. E que ela, "inclusive, tem consulta na especialidade de ortopedia/ombro marcada para o próximo mês".

A pasta não se posiciona sobre um possível descaso no atendimento de Valdirene da Silva, que teria levado à piora do quadro de saúde dela.

O Estado, que também não comenta sobre a demanda reprimida e a baixa quantidade de vagas mensais apontadas pelo município, finaliza seu posicionamento dizendo que "a paciente será comunicada assim que o exame de ressonância, que é de caráter eletivo, for agendado".

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