Política

Funcionários da Emdurb podem parar por vale-alimentação maior

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Após a indicação de uma possível paralisação dos funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), surgida depois da confirmação de que não receberiam o reajuste do vale-alimentação proposto pela prefeitura para os servidores da administração direta e, posteriormente, estendido aos funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos (Funprev), a prefeita Suéllen Rosim (PSC) recebeu representantes dos trabalhadores da Emdurb na tarde desta terça-feira (28).

Durante a reunião, mantida a negativa do reajuste imediato, os funcionários decidiram que aguardarão a aprovação do projeto de lei que tramita na Câmara, com as correções dos valores dos outros setores, para decidir pela paralisação ou não, caso nenhuma medida seja anunciada pela Emdurb até lá.

Apesar da possibilidade de greve, os funcionários sugeriram que o aumento do vale seja escalonado nos próximos meses. A proposta deve ser avaliada, considerando as ações que vêm sendo tomadas para melhorar a arrecadação da empresa. Com os funcionários da Emdurb estavam o advogado do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), José Francisco Martins, e diretores da entidade.

A prefeitura enviou à Câmara nesta segunda-feira (28) emenda modificativa ao projeto de lei que prevê o reajuste do vale-alimentação dos servidores da administração direta de R$ 625,00 para R$ 1.000,00, ampliando o benefício para os servidores e funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos de Bauru (Funprev).

FORMAS DE ATENDER

Para o Jornal da Cidade, o presidente da Emdurb, Everson Demarchi, descartou a possibilidade de seguir o aumento, devido à situação financeira da empresa. Ele esteve com funcionários na tarde de segunda-feira (27) e voltaria a se reunir nesta terça (28), pela manhã, para expor as dificuldades da empresa. "A empresa vem em processo de recuperação financeira. Para não causar danos aos funcionários, é priorizado o pagamento de salários, vale-alimentação, plano de saúde e está buscando cumprir com o pagamento dos fornecedores, necessário para desenvolvimento de seus trabalhos. Tão logo essa situação melhore, a empresa buscará alguma forma de atender os funcionários para que os mesmos sejam contemplados com esse aumento", informou o presidente.

Questionada pela reportagem sobre a reunião com a prefeita, a assessoria de imprensa apenas informou que a Emdurb "é quem deve se posicionar, uma vez que não depende da prefeitura, ou de lei. A questão da Emdurb é financeira".

CORTINA

Em uma publicação em suas redes sociais, o Sinserm defende que o anúncio do reajuste do vale-alimentação foi uma estratégia política da prefeita para desviar a atenção dos servidores do andamento da Comissão Processante (CP), que pode levar à sua cassação. "A chefe do Executivo recorreu recentemente a uma manobra populista ao prometer um suposto reajuste no vale-compras dos servidores. Ao anunciar a medida, a prefeita não deixou claro para a categoria que, na verdade, trata-se de um adiantamento dos reajustes que viriam nos próximos dois anos e, com isso, o valor do benefício poderá ficar congelado em 2023 e 2024. Além da narrativa desonesta, o adiantamento é matematicamente perverso. Com a alta constante da inflação, o poder de compra dos brasileiros diminui a cada mês. Isso significa que, ao fim de 2024, o valor depositado no vale-compras estará muito desvalorizado. Em outras palavras, o dinheiro valerá bem menos do que vale hoje. Uma estratégia custeada com recursos públicos para desviar a atenção dos servidores", diz a nota.

 

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