Política

Parte do Legislativo cobra posição e Markinho fará reunião com Suéllen

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Os embates entre o Legislativo e o Executivo de Bauru se acirraram nos últimos dias. A cada nova decisão, posicionamento ou pronunciamento de ambas as partes, elevam-se as críticas entre os poderes a um nível que talvez não tenha sido visto na história recente da política bauruense. Como ocorreu nesta semana, após um vídeo publicado em suas redes sociais onde a prefeita Suéllen Rosim (PSC) chamou de "política suja" a conduta dos vereadores que resultou na instauração da Comissão Processante contra ela.

Uma reunião entre os vereadores que se sentiram afetados pelo vídeo e a presidência da Câmara debateu, no início da noite desta terça-feira (28), que medidas poderão ser tomadas em torno da polêmica estabelecida.

O presidente do Poder Legislativo, Markinho Souza (PSDB), já havia se antecipado e marcado uma reunião com a prefeita Suéllen para a próxima sexta-feira (1), quando espera encontrar saídas para apaziguar a situação e buscar o equilíbrio entre os poderes, segundo ele, pelo bem da cidade.

Na postagem em rede social, a prefeita Suéllen Rosim (PSC) menciona que houve tentativas de criminalização a ela e à sua família, sem citar quem teriam sido os autores, e que a falta de provas de irregularidades durante os processos de desapropriação dos 16 imóveis pela Educação levou ao arquivamento do relatório final da CEI na Câmara.

No vídeo, a prefeita diz que a Comissão Processante é um ato político, que pretende cassar o seu mandato "custe o que custar, com base em mentiras", e que os vereadores que aprovaram a comissão não têm interesses relacionados à Educação ou à cidade. "Vereadora que tem sonho de ser prefeita e me persegue desde o começo do mandato, e vereador que quer ser deputado e, ao invés de tentar os próprios méritos, fica tentando me atacar para conseguir votos", disparou Suéllen.

SEM TRAQUEJO

Sobre as polêmicas, o presidente da Câmara ponderou que decorrem de alguns fatores ligados diretamente a Suéllen, que incluem a falta de experiência, que afeta seu traquejo político e tem levado a tomar decisões que ele julga erradas.

A forte oposição que vem sendo feita a ela também existia aos seus antecessores, com a diferença de que havia mais diálogo entre as partes, de acordo com Markinho.

"É preciso que conversem para buscar entendimento para garantir que a cidade não seja afetada. Tem muita coisa para a gente discutir. A gente não pode ficar administrando crises num momento em que a cidade se encontra com tantos problemas para serem resolvidos", afirmou.

Markinho também demonstrou preocupação com a imagem da cidade, que pode ser afetada pelo clima de discórdia política. "Qual a mensagem que vamos passar para os investidores que queiram vir para Bauru? Primeiro temos que pensar na cidade e depois nas questões político-partidárias", avaliou.

INSTITUCIONAL

Nove vereadores participaram da reunião de ontem na Câmara e debateram sobre a crise instituída pelos embates políticos ocorridos entre Executivo e Legislativo.

Vereadores da oposição, como Chiara Ranieri (União Brasil) e Estela Almagro (PT), cobraram um posicionamento da Mesa em relação ao vídeo divulgado pela prefeita, citando que a decisão está amparada no Regimento Interno da Câmara.

Estela citou o Regimento Interno para defender um posicionamento da Mesa em relação ao ocorrido. "Como se passaram 24 horas do ocorrido, acho que a reunião foi inócua. O Regimento Interno da Câmara é claro, não há necessidade de debate (sobre o posicionamento do Legislativo). Se a prefeita quer atear fogo na cidade, nós estamos entrando com jato de água. Não podemos rebaixar o nível e entrar em uma guerra de vídeos", afirmou.

O presidente do Legislativo, Markinho Souza, adiantou ao JC que levará para a reunião com a prefeita a mesma proposta que apresentou aos vereadores, de que a relação institucional entre Legislativo e Executivo não pode ser abalada pelas diferenças entre o governo e a oposição.

Também participaram do encontro Júnior Rodrigues (PSD), Miltinho Sardin (PTB), Marcelo Afonso (Patriota), Jr. Lokadora (PP), Eduardo Borgo (PMB), Júlio Cesar (PP) e Beto Móveis (Cidadania).

Comentários

Comentários