Brasília - Escolhida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para substituir Pedro Guimarães no comando da Caixa, que renunciou ao cargo ontem, Daniella Marques é a pessoa de maior confiança do ministro Paulo Guedes (Economia), com quem já trabalhava no mercado financeiro antes de integrar o atual governo.
O presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, deixou o comando do banco estatal nesta quarta-feira (29), após ser acusado de assédio sexual por funcionárias. A saída dele do governo foi divulgada em uma carta aberta publicada em suas redes sociais. Na carta, Guimarães nega as acusações e diz ser alvo de "rancor político em um ano eleitoral".
HISTÓRICO
Daniella é apoiadora de Bolsonaro desde a primeira hora, ao lado do ministro Guedes. Os dois embarcaram juntos no projeto de Bolsonaro ainda durante a campanha, em 2018, e assumiram cargos já no primeiro dia da atual administração.
Como chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia, Marques teve uma atuação intensa nos bastidores das negociações políticas, função que continuou exercendo, ainda que de maneira informal, após assumir em fevereiro deste ano a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade - posto que ocupa até hoje.
Braço direito de Guedes, a secretária passou a representar o ministro da Economia em conversas com as cúpulas da Câmara e do Senado, desde quando as Casas eram presididas por Rodrigo Maia (PSDB-RJ) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), respectivamente.
Ela atuou na negociação de propostas cruciais para a Economia, como a Reforma da Previdência e a PEC (proposta de emenda à Constituição) dos Precatórios, que adiou o pagamento de dívidas judiciais e abriu espaço no Orçamento para ampliação de políticas sociais em ano eleitoral. O envolvimento de Marques nessas articulações era direto e ativo. Muitas vezes ela era vista no centro do plenário da Câmara ou do Senado, ambiente geralmente restrito a parlamentares e seus assessores, dialogando sobre pontos polêmicos ou tentando desarmar alguma bomba em meio às votações de propostas econômicas. Um integrante do governo afirma que a secretária "sempre foi a pessoa do ministro Paulo Guedes".