Há tempos, quem passa à noite pela av. Nuno de Assis, próximo ao Fórum, em Bauru, se depara com uma completa escuridão. Isso porque, frequentemente, a fiação elétrica do trecho é levada por criminosos. Esse é apenas um dos vários pontos da cidade prejudicados pela onda de furtos de fios e cabos de energia. Para combater esse problema crônico, que deixa vias no escuro e também afeta os mais variados serviços, foi deflagrada, na manhã desta quarta-feira (29), uma megaoperação envolvendo diversos órgãos. O alvo principal foram ferros-velhos, potenciais receptadores desses itens.
A força-tarefa envolveu as polícias Militar e Civil e equipes das secretarias municipais de Planejamento (Seplan) e Meio Ambiente (Semma). Contou, ainda, com apoio de técnicos do Departamento de Água e Esgoto (DAE), da CPFL e de empresas de telefonia, que são, na maioria das vezes, as vítimas dessa modalidade de crime.
De acordo com o major Gustavo Cardoso Xavier, coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), para realizar a operação, foi feito um levantamento dos ferros-velhos mais próximos aos pontos nos quais os fios e cabos são alvos de bandidos com maior frequência.
"Normalmente, são nesses locais que os objetos furtados são repassados. Primeiro, por conta da proximidade, porque os criminosos não querem ficar andando com o produto furtado na rua. Segundo, porque não exigem nota fiscal na hora de comprar para averiguar a procedência. Então, a ideia principal da operação é 'atacar' esse receptador, aquele estabelecimento que funciona e comercializa irregularmente. Se não tiver quem compre, os furtos, consequentemente, vão diminuir", explica o oficial.
FLAGRANTES
Ao todo, oito endereços foram vistoriados e seis tinham irregularidades. Em um estabelecimento na Vila Dutra, além de se tratar de uma ocupação irregular por ser um terreno de uma antiga empresa de transporte ferroviário, as equipes encontraram uma ligação clandestina de energia (conhecida como 'gato') e vários itens de fácil combustão armazenados sem qualquer cautela. O responsável foi preso em flagrante por furto de eletricidade e autuado.
Já o ponto onde havia mais produtos de origem ilícita foi um ferro-velho na Vila Industrial. Segundo o registro policial, foram apreendidos por lá 10 quilos de fios de cobre, 50 metros de fios de alumínio, 62 hidrômetros e vários objetos relacionados às redes elétrica e telefônica. O proprietário foi notificado e o comércio acabou lacrado pela Seplan.
Além disso, em outros lugares, também foram localizadas lâmpadas de postes de iluminação pública e luminárias, sendo os responsáveis autuados pela Seplan e Semma diante das irregularidades. Outros dois inquéritos para investigar possíveis casos de furtos de fios foram instaurados pela Polícia Civil.
QUILO DO COBRE
Ainda de acordo com o major da PM, acredita-se que, na maioria das vezes, esses crimes são praticados por usuários de drogas, que estão em busca de dinheiro fácil. Nos ferros-velhos, o quilo do cobre, por exemplo, varia de R$ 30,00 a R$ 50,00. Então, para essas pessoas, o delito pode parecer bastante compensador, mesmo que corram o risco de serem eletrocutadas durante o ato.
Inclusive, em maio deste ano, conforme o JC noticiou, um homem ficou em estado grave após ser atingido por uma descarga elétrica enquanto tentava furtar fios de alta tensão do Terminal Rodoviário, em Bauru. O local ainda ficou 'no escuro' por várias horas até o fornecimento ser restabelecido.
"A operação vai continuar em outras datas e outros locais também próximos aos pontos de maior incidência de furtos desses fios e cabos. Esse tipo de crime deixa grandes prejuízos para todos os envolvidos e afeta a sociedade como um todo, desde o proprietário da casa que está desocupada até uma unidade de saúde que deixa de atender pessoas doentes ou escolas que suspendem aulas. Estamos empenhados em combatê-lo", completa o major Gustavo Cardoso Xavier.