Economia & Negócios

Pela 1.ª vez, preço médio do diesel ultrapassa o da gasolina em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A última alta de combustíveis anunciada pela Petrobras, há pouco mais de dez dias, fez o preço do óleo diesel disparar e ultrapassar até mesmo o valor da gasolina, fenômeno inédito na história recente do País. Se, no começo do ano, o primeiro custava cerca de R$ 1,00 a menos que o segundo, agora a proporção se inverteu e o litro do diesel já pode ser encontrado nas bombas dos postos de Bauru até R$ 1,00 mais caro que o da gasolina.

Conforme o levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 19 a 25 de junho, o preço médio do diesel chegou a R$ 7,43 na cidade, enquanto o litro da gasolina era vendido a R$ 6,84. Para se ter ideia, no começo do ano, de 2 a 8 de janeiro, o primeiro custava R$ 5,21 e o segundo, R$ 6,17.

"Hoje, já tem posto vendendo diesel a mais de R$ 8,00. Na Europa, o produto está sendo subsidiado e, aqui no Brasil, não teremos outra saída além dessa. Toda a sociedade é impactada por estas altas sucessivas, já que o valor do combustível reflete no preço do frete e, por consequência, das mercadorias em geral. A inflação vai continuar aumentando", avalia o presidente da Associação dos Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região (Arcomb), Edivaldo Tuschi.

MUDANÇA DE HÁBITOS

A arquiteta Letícia Rocco Kirchner, 40 anos, é uma das moradoras de Bauru que já mudaram hábitos para diminuir o consumo do diesel. Ela é diretora-executiva do Instituto Soma, entidade que utiliza uma caminhonete para viagens e deslocamento dentro da cidade, e conta que reduziu o uso do veículo, visto que encher o tanque já estava custando cerca de R$ 500,00, o equivalente a quase meio salário mínimo.

"No fim de maio, abastecemos 71 litros a R$ 7,00, cada. Agora, circulamos com a caminhonete somente em situações específicas, como trafegar em zona rural ou para transportar carga. Estamos usando bem menos", comenta a arquiteta, explicando que todos no instituto têm utilizado carro movido a etanol e gasolina para economizar.

TENDÊNCIA

E a tendência é que a diferença de preço destes dois combustíveis, na comparação com o diesel, fique ainda maior.

Já nesta semana, a expectativa é de que o litro da gasolina fique R$ 0,68 mais barato e o do etanol, R$ 0,24, sendo que este último estava sendo comercializado a um custo médio de R$ 4,30 de 19 a 25 de junho, o menor valor desde a segunda quinzena de março.

A diminuição, já notada em alguns locais, resulta da isenção dos impostos federais PIS, Cide e Cofins sobre estes combustíveis, medida que permanecerá em vigor até 31 de dezembro, conforme prevê a lei complementar 194/2022, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada. Além disso, nesta segunda-feira (27), conforme o JC noticiou, o governo paulista anunciou a redução de 25% para 18% do ICMS sobre a gasolina, com previsão de provocar uma queda no valor do litro de cerca de R$ 0,48 nas bombas.

"Esta diminuição também atende o que foi determinado por esta lei complementar. Ao todo, o preço da gasolina vai cair cerca de R$ 1,10, R$ 1,15. As distribuidoras grandes estão abatendo R$ 0,13 por dia, conforme vão renovando os estoques. Então, até o fim desta semana, o consumidor já terá sentido a redução provocada pela isenção dos impostos federais. Em seguida, teremos o impacto da queda do ICMS", aponta Tuschi.

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