Mais eficiente e menos invasiva, uma nova técnica que usa laser de alta potência para tratar aumento benigno da próstata passou a ser realizada em Bauru. O método é considerado definitivo e pode ser empregado em próstatas com até 200 gramas, ao passo que outras cirurgias convencionais dão conta de tecidos com até 80 gramas. Recentemente, dois pacientes passaram com sucesso pelo procedimento no Hospital Unimed Bauru (HUB), o quarto do Interior Paulista a executá-lo e o primeiro do sistema a incorporar a tecnologia.
Batizada de HoLEP (sigla em inglês para Enucleação Endoscópica da Próstata com Holmium Laser), a técnica diminui a próstata por meio de um laser. Ao contrário da cirurgia tradicional, na qual é necessária uma grande incisão no abdômen, o novo procedimento é feito através de seis pequenos furos, reduzindo o sangramento, o que também proporciona uma recuperação mais rápida.
"No tratamento comum, o caminho é feito através da bexiga. Depois, o paciente fica com uma sonda durante sete dias para urinar. Nessa nova técnica, acessamos pelo canal urinário e ele usa a sonda apenas um dia", explica o urologista Filemon Silva Casafus, que foi o cirurgião principal à frente do procedimento. Participaram também os médicos Alexandre Iscaife (proctor) e Márcio André Sales (cirurgião auxiliar).
Se comparada à técnica RTU (espécie de raspagem da próstata e também considerada minimamente invasiva), a HoLEP ainda levaria vantagem pelo fato de ser definitiva. "Na RTU, geralmente depois de cinco anos, a próstata volta a crescer", acrescenta Filemon. A desvantagem, aponta o médico, é que o novo método não é oferecido pelo SUS e nem está no rol de procedimentos dos convênios médicos definido pela Agência Nacional de Saúde (ANS).
RECORRENTE
No Brasil, o aumento benigno de próstata acomete 40% dos homens entre 60 e 70 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Inclusive, já a partir dos 50 anos, a condição aparece em até um quarto da população masculina. Está associada a determinantes genéticos, mas causas externas como obesidade podem ser fatores de risco. Apesar de não ser um câncer, provoca situações que culminam na redução da qualidade de vida, como incontinência urinária e, em casos extremos, constantes infecções.
"Estamos sempre em busca de inovações, investindo em tecnologia e em capacitação de nossos profissionais, com o objetivo de oferecer aos nossos beneficiários atendimento de qualidade, procedimentos seguros e que garantam uma excelente recuperação", destaca Roberson Antequera Moron, diretor superintendente do HUB.