Era uma família feliz. Viviam no campo, pais e vários filhos.
Empenhavam-se conjuntamente na colheita das plantações e no trato dos animais. Tal como várias famílias em nosso país, tinham poucos recursos materiais.
Os filhos, porém, aproveitavam a liberdade e pureza da natureza que os envolvia.
Deslocavam-se para a cidade com um sedã curvilíneo, amealhado com grandioso esforço.
Até que um dia, o pai, sem previas explicações, tomou a decisão de vender o carro.
Eis que chegou o comprador para buscar o bem, entregando várias notas ao genitor como pagamento pelo preço combinado.
Logo depois, o querido Gordini, guiado pelo novo proprietário, era observado pelas crianças que, entristecidos e sem compreender a atitude paterna, dele despediam-se silentes.
O pai, então, juntou as cédulas, aproximou-se de um dos filhos, depositou-as no bolso da camisa do jovem com firmeza imponente e disse-lhe: - Você vai estudar e, após, ajudar seus irmãos. A determinação paterna que, a princípio, soou cessação da liberdade e alegria do eleito, foi acatada pelo rapaz.
Foi para Bauru estudar Direito, empregando com zelo e responsabilidade o dinheiro concedido. O tempo passou… Grandioso conhecedor da ciência que abraçou, de postura elegante e com seriedade admirável, o filho tornou-se Tabelião respeitado.
Honrou o pedido do pai não só quanto aos estudos, mas em auxiliar os irmãos, cultivando a união e amor de outrora.
Humildade também não lhe falta, ao orgulhar-se da linda história de vida que, certamente, não só nos alegra por ouvir, mas possibilita inspiração a quem compreende que nobres missões não são concedidas em vão.
Essa é uma homenagem ao dr. Jaime dos Santos Júnior, Terceiro Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Bauru.
A autora é colaboradora de Opinião.