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Eleição, inflação, guerra e Copa: 2.º semestre traz turbilhão de incertezas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Recém-iniciado, o segundo semestre de 2022 será movimentado, mas também cheio de incertezas e tensões. Até a reta final deste ano, o País terá campanha eleitoral, com brasileiros indo às urnas para escolher presidente, governador, senador e deputados, enfrentando ao mesmo tempo um cenário econômico de inflação e juros elevados, além dos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia. E, a partir de novembro, já com o resultado do pleito presidencial definido, a nação ainda será mobilizada pela Copa do Mundo, no Catar, a primeira a ser realizada nesta época do ano, com encerramento a sete dias do Natal.

Ou seja, nestes próximos seis meses, os cidadãos viverão um grande caldeirão de acontecimentos e, segundo especialistas, é bom "apertar os cintos" para esse turbilhão. A inflação, por exemplo, que tem corroído o poder de compra da população, deverá ter queda especialmente no último trimestre, com previsão de encerrar dezembro com um acumulado de 9%, ante aos 11,73% registrados em maio.

"É a chamada desinflação, ou seja, não significa que os preços dos produtos irão cair, mas os consumidores sentirão que eles ficarão mais comportados, com reajustes ocorrendo em menor velocidade. Não obstante a boa geração de emprego formal e a queda da taxa de desemprego, o poder aquisitivo das famílias não terá significativa melhora", analisa o economista Reinaldo Cafeo.

CONSUMO

Em razão disso e dos juros altos, que inibem o acesso ao crédito, o consumo - correspondente a 70% do PIB - não deverá acelerar, mantendo o crescimento do País em patamar de aproximadamente 1%. "Também haverá retração de novos investimentos, o que é natural em um ambiente de incertezas em relação ao futuro do comando do Brasil", acrescenta.

O cenário econômico pouco otimista pode ser atenuado se o pacote de benefícios que tramita no Congresso e inclui ampliação do Auxílio Brasil para R$ 600,00, aumento do vale gás e concessão de auxilio para caminhoneiros e taxistas for aprovado. "Isso, somado à redução dos impostos incidentes sobre combustíveis e energia elétrica, pode salvar o segundo semestre. Mas, ainda assim, não prevejo um PIB robusto para este ano", completa Cafeo.

Justamente em razão da dura realidade enfrentada pela maioria das famílias, a tônica das eleições de 2022 será a economia, diferentemente dos motes que conduziram os pleitos de 2018 (combate à corrupção) e de 2020 (gestão da pandemia). "Claro que haverá guerra de narrativas, mas o desemprego, a inflação, o preço dos combustíveis e a perda do poder de compra da população devem ser o foco central dos debates", analisa Bruno Pasquarelli, doutor em Ciência Politica e professor de Relações Internacionais.

RISCOS

Segundo ele, independentemente de quem assumir a presidência em 2023, terá grandes problemas de governabilidade, considerando que nenhum dos possíveis eleitos deverá contar com maioria no Congresso. "Além disso, não teremos uma situação econômica muito melhor do que agora. E, se os gastos do governo aumentarem ainda mais, com estes benefícios propostos por meio de PEC, a tendência é haver muitos problemas políticos e econômicos", acrescenta.

Ainda sobre o momento pós-eleições, Pasquarelli acredita que, dependendo do resultado da disputa presidencial, há chances de o País assistir a uma grande convulsão social. "Devido à forte polarização no Brasil, não sabemos quanto os ânimos estarão acirrados, com potencial para gerar episódios de violência", completa.

Já em relação à guerra, o professor destaca que, neste momento, países como Itália, França, Alemanha e Inglaterra buscam uma solução negociada e até um cessar-fogo, mesmo que a Ucrânia precise ceder territórios à Rússia, visto que estas nações da Europa Ocidental estão sofrendo economicamente com o conflito e sendo pressionadas por suas populações. "Não é possível prever qual será o resultado destas tratativas. O que é certo é que os impactos desta guerra serão sentidos no mundo, inclusive no Brasil, pelos próximos anos ainda", conclui.

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