São Paulo - Justo no ano em que se completam dois séculos de sua independência, o Brasil assiste novamente ao desembarque de uma caravana de portugueses em suas terras. Mas desta vez é a convite.
Portugal é o grande homenageado da Bienal do Livro de São Paulo, onde um pavilhão com mais de 60 atividades ao longo de nove dias busca afinar laços entre os dois países e pensar o passado e futuro de uma relação fundada no colonialismo.
A comitiva da terra de Saramago traz 21 escritores, de lusitanos célebres como Valter Hugo Mãe e Ricardo Araújo Pereira, colunista deste jornal, a lusófonos de outros cantos ?como a moçambicana Paulina Chiziane, ainda na esteira do Camões, o timorense Luís Cardoso, ganhador de um inédito prêmio Oceanos, e o angolano Kalaf Epalanga, sucesso da Flip em 2019.
O evento coroa um estreitamento recente da interlocução literária entre os dois países. Como diz Matilde Campilho, outra lusa que virá para a Bienal, "durante muitos anos não nos conhecemos tão bem quanto poderíamos, literariamente falando", mas "nos últimos tempos isso vem cada vez mais a mudar".
A escritora lança pela editora 34 seu primeiro trabalho em prosa, "Flecha", e lembra a Macondo como outra casa com atenção fina aos seus contemporâneos ?assim como a portuguesa Douda Correria dedica a brasileiros jovens como Adelaide Ivánova, Ana Martins Marques e Angélica Freitas. "E estamos só nos poetas."