O impasse envolvendo a continuidade da recuperação asfáltica da Rodrigues Alves segue sem solução, quase um mês depois de a empresa responsável pelas obras manifestar desinteresse em prosseguir com a segunda fase do projeto. Trata-se de uma etapa considerada mais complexa, por envolver toda a retirada do asfalto antigo e da base, entre as quadras 2 e 13, da avenida Nações Unidas até a av. Pedro de Toledo.
Por meio de nota, a prefeitura informou apenas que "o processo está na Secretaria de Negócios Jurídicos para definição dos próximos passos".
O JC tentou obter um detalhamento maior da atual situação do impasse, contudo, esta pasta municipal não designa representantes para conceder entrevistas à imprensa.
O JC também enviou pedido de posicionamento à RA Infraestrutura, responsável pela obra, que não deu retorno até o fechamento desta edição.
A recuperação da Rodrigues foi paralisada em abril, após a empresa pedir aditivos que, somados, alcançariam R$ 2,5 milhões, o que foi rejeitado pela prefeitura. O realinhamento solicitado equivaleria a um acréscimo de 72% em relação ao contrato inicial, de R$ 3,49 milhões. Conforme o JC divulgou, a Secretaria de Obras informou ter aprovado o repasse de R$ 946,8 mil, ou seja, 37% do pedido.
Em matéria publicada anteriormente pelo JC, a RA Infraestrutura alegou que o reequilíbrio pretendido considera "as altas consecutivas nos aumentos dos preços dos insumos da construção civil, consequência não só da pandemia, mas também da guerra no Leste Europeu".
Inicialmente, a Secretaria de Obras deu prazo até 15 de junho para a empresa decidir se retomaria os serviços com o recurso aprovado ou se rescindiria o contrato com o município. Depois, a pasta até estendeu a data limite, mas, até o momento, nenhuma decisão foi tomada.
A secretaria chegou a dizer que, caso a RA Infraestrutura não respondesse ou não retomasse os trabalhos, entenderia a conduta como manifestação de abandono e iniciaria os trâmites junto ao Jurídico para formalizar a rescisão, com cobrança de multa de R$ 750 mil. A empresa também ficaria inabilitada de concorrer a licitações por dois anos. Se este for o posicionamento do município, a RA já adiantou que poderá judicializar a questão.