Com o objetivo de denunciar uma série de furtos e atos de vandalismo na área que pertencia à Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf), no Distrito Industrial 2, cerca de 100 integrantes do Movimento Social de Luta dos Trabalhadores Sem Teto (MSLT) estão no local. Segundo eles, o terreno não conta com segurança atualmente e a vigília visa evitar novos crimes ao patrimônio público.
Os manifestantes também reivindicam que o espaço, que foi reintegrado à Prefeitura de Bauru por meio de decisão judicial recente (leia mais abaixo), tenha uma destinação social, como, por exemplo, com a instalação de creche ou unidade de saúde, a fim de beneficiar a população que vive nos arredores.
Na área de 200 mil metros quadrados, equivalente a 20 campos de futebol, que fica às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú), existem cinco prédios, sendo quatro térreos e um com cinco andares, que estão ociosos. E, segundo os integrantes do MSLT, as estruturas vêm sendo alvo frequente de criminosos, que já furtaram todo tipo de material das construções.
"Eles levaram toda a fiação elétrica, encanamento, portas, janelas, batentes, forros, vidros, pias, vasos sanitários, lâmpadas, bomba de água, móveis e até o telhado de um dos galpões. Esse local tem sido alvo de furtos há muito tempo. Só que tinha um vigia, que morava próximo da portaria. Como conseguiram levar tudo isso se havia uma pessoa supostamente vigiando a área?", questiona Márcio Oliveira, de 41 anos, diretor nacional do MSLT e integrante do grupo que está no local desde quarta-feira (6).
A reportagem do JC esteve no endereço na tarde desta sexta-feira (8) e constatou o cenário de abandono. "Quando vimos a situação que isso aqui estava, decidimos ocupar para vigiar e evitar que terminem de levar o que restou, além de denunciar esse descaso com o patrimônio público. Somente nesses dias que estamos aqui, já vimos dois homens tentando furtar e impedimos. Isso sem contar a quantidade de documentos, com informações pessoais de diversos pacientes, que foram deixados aqui, jogados", complementa Ezequiel de Souza Alves, de 38 anos, outro integrante do grupo.
Além de evitar outros crimes, os membros do MSLT afirmam que também estão no endereço para reivindicar que a área tenha uma finalidade social, beneficiando os moradores dos arredores, como do Parque Santa Terezinha e Vila Aimorés.
"Só vamos sair quando a prefeitura nos informar o que será feito com esse espaço. Se foi um terreno doado para uma entidade de caráter assistencial e filantrópico, nossa luta é para que continue sendo usado para este fim, como para uma escola ou unidade de saúde, para beneficiar esses moradores que precisam tanto", conclui o diretor nacional do MSLT.
A reportagem perguntou à Prefeitura de Bauru sobre o que ela pretende fazer com a área e também quem cuidará do espaço a fim de evitar novos furtos e vandalismos, contudo, o Executivo não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta edição.