Geral

Revolução de 32 completa 90 anos e história de combatentes 'revive'

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

"Repousa em paz, no coração materno, da terra de São Paulo, grande e eterno, no seu amor à gente idealista! O nome teu, que importa? Um nome passa! Tu és, soldado, o apóstolo da raça, o herói, o santo, o símbolo paulista!". Este é o trecho de um poema que foi lido por um jovem de 20 anos, combatente da Revolução Constitucionalista de 1932, um dia antes de sua morte na frente de batalha. A carta, encontrada com manchas de sangue no bolso da farda dele, foi guardada por anos pela família e, hoje, é uma das relíquias que estarão expostas no Museu Histórico Militar de Bauru (MHMB). Neste sábado (9), quando a Revolução completa 90 anos, o espaço abre suas portas ao público e "revive" a história dos combatentes.

A cerimônia de inauguração ocorre a partir das 10h e o museu, localizado na rua Antônio Alves, 12-83, no Centro de Bauru, seguirá aberto até as 18h. A entrada é gratuita.

Montado com ajuda de doações, especialmente de filhos, netos e sobrinhos de combatentes, o MHMB conta com um acervo de mais de 20 mil artigos, "muitos deles utilizados durante o período do confronto armado", detalha o diretor-presidente do local, Jorge Sebastião dos Santos.

Um dos itens foi disponibilizado nesta sexta (8) pela bauruense Maria Antonieta Fraga Padilha, 85 anos, filha de Antônio Egydio Padilha, médico e dentista que atuou no salvamento de colegas na Revolução.

"Ele se orgulhava por ter ajudado tanta gente e o País. Ele nos mostrava o uniforme e contava como foi difícil perder em combate o primo (o bauruense Rubens Fraga de Toledo Arruda), que, na época, tinha 16 anos", comenta Maria Antonieta, mostrando a braçadeira usada pelo pai. Egydio morreu há pouco mais de quatro décadas, aos 76 anos, de infarto fulminante.

"Com as lembranças deste museu, eu sinto meu pai vivo de novo. Tenho orgulho por ser filha de alguém que lutou pelo bem do País", acrescenta.

PELA CONSTITUIÇÃO

A Revolução de 1932 tinha por objetivo derrubar o "governo provisório" de Getúlio Vargas, instaurado em 1930 após um golpe de Estado. Além disso, o movimento resultou na convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que, mais tarde, gerou a promulgação da Constituição Federal, em 1934. Nesta época, pela primeira vez no País, as mulheres passaram a poder participar do processo eleitoral.

O movimento armado durou 87 dias com um saldo oficial de 934 mortos (estimativas extraoficiais reportam até 2,2 mil mortes).

TRÊS BAURUENSES

Além de Antônio Egydio e seu primo Rubens Arruda, centenas de voluntários bauruenses partiram para o campo de batalha. Entre as mortes oficiais registradas ao final do movimento, três eram de moradores da cidade: Agenor Meira, Alfredo Ruiz e o próprio Rubens Arruda.

O estopim que deu início à Revolução foi o assassinato, nas ruas de São Paulo, em maio de 1932, de quatro estudantes contrários ao governo de Getúlio. Tal acontecimento deu origem à sigla MMDC, muito usada para divulgar o levante e cujas iniciais eram dos jovens assassinados: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.

Um dos "M" da sigla, Martins nasceu na cidade de São Manuel, em fevereiro de 1901.

SERVIÇO

O Museu Histórico Militar de Bauru fica na rua Antônio Alves, 12-83. O local funcionará com visitas guiadas, que devem ser agendadas por meio do WhatsApp (14) 99793-5518 (Jorge). Hoje, contudo, o público pode visitar sem agendar.

Comentários

Comentários