A Marcha para Jesus voltou a tomar as ruas da capital paulista neste sábado (9) e uma multidão de fiéis participou para demonstrar sua fé, além de agradecer e pedir saúde.
Nos últimos dois anos, por causa da pandemia, a organização realizou eventos menores, como carreatas, lives e shows no estilo drive-in. A deste ano, portanto, marcou o reencontro do público com a Marcha. O Campo de Marte ficou tomado pelos participantes, que ocupavam até as ruas laterais.
A aposentada Maria Aparecida Teixeira, 68, pegou um paninho do Neto Lucas, 3, para se sentar numa grama com sombra atrás do palco onde o presidente Jair Bolsonaro (PL) discursava na praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, por volta das 12h40 deste sábado.
"Essa sombra foi um achado", disse a idosa, pouco antes de erguer as mãos para o céu quando Bolsonaro disse que esse é um país laico, mas que o presidente é cristão.
Com mais três pessoas da família, ela disse ter encarado metrô da zona leste para agradecer pela recuperação de um sobrinho que chegou a ser intubado no ano passado por causa da Covid-19.
Reclamando de dores na perna esquerda, Maria Aparecida disse que caminharia tudo de novo - para chegar até a sombra atrás do palco, a família precisou dar uma volta no quarteirão e passar por entre as grades que fecham as ruas do entorno ao trânsito.
"Tem muita gente, mas vale a pena", afirmou.
Perto dali, a estudante Larissa Chagas, 22, que veio de Cajamar, na Grande São Paulo, tentava gravar o primeiro show após a fala do presidente, apesar de a altura do enorme palco não ajudar aos que não estavam de frente para ele. "Não dá para ver direito, mas aqui não tem empurra-empurra e o som é perfeito", afirmou.
Armanda Ferreira, 16, veio com um grupo de 35 fiéis da igreja Assembleia de Deus, da cidade de Alumínio (SP). Sua primeira marcha teve uma emoção especial, nas palavras delas. A jovem veio agradecer a Deus pela vida, pela superação da Covid, que atingiu sete primos e dois tios de sua família. "Vim orar por eles, que superaram esse mal, sem sequelas ", disse, emocionada. "A marcha é também uma forma de agradecer essa benção alcançada."
A irmã, Sarah, 19, contou que os fiéis que estavam com elas aguardavam o momento dos shows de música gospel. "Por enquanto foi só adoração. Falta agora o momento da ferveção", disse Sarah. O amigo delas, Fabrício Hermenegildo Silva, 20, alertou para o que o grupo se mantivesse unido em meio à multidão. A previsão era de retornar para Alumínio às 21h.
A 30ª edição da Marcha reuniu muitos casais com filhos, incluindo bebês, em carrinhos. A doméstica Jussara Aparecida da Silva, 31, conta que pulou da cama antes das 5h, em Cidade Tiradentes, na zona leste, para chegar antes das 9h. "Achei muito organizada e segura", disse ela, acompanhada por um grupo de amigas e crianças.
Ela, porém, fez algumas ponderações. "Está difícil encontrar lugar para comer e ir ao banheiro. Quiseram cobrar R$ 10 por um espetinho. Onde moro, sai pela metade", contou.
Com a falta de banheiro químico, longas filas se formavam para ir a sanitários abertos por empresas nos arredores do Campo de Marte. O acesso custava R$ 5 em um dos deles, cuja fila contava com mais de 200 pessoas por volta das 13h30, na avenida Santos Dumont.
Ruanita, 6, uma cachorra da raça shih-tzu , estava devidamente trajada com a camiseta do encontro. Deitada num carrinho de bebê, era conduzida pela sua tutora, a vendedora Marineide Vitória, 53, evangélica da igreja Renascer. Conta que a pequena sofre de leucemia, displasia e hérnia de disco. "Ela é uma criatura de Deus. Só o Senhor pode curá-la", disse, emocionada, Vitória.
José Henrique Batista, 37, da Universal do Reino de Deus, veio de Piracicaba para participar da Marcha. "Não estou interessado em discurso de político, mas faz parte, né? Olha a multidão. Tem muita gente aqui que acredita no que eles [políticos] falam. Eu acredito em Deus", disse ele, bandeira do Brasil enrolada ao corpo.
Bolsonaro participa
O presidente Jair Bolsonaro (PL) evocou mais uma vez a "guerra do bem contra o mal" e expurgou "as dores do socialismo" na maior das Marchas para Jesus do país, a de São Paulo, neste sábado (9).
"Temos uma posição aqui: somos contra o aborto, contra a ideologia de gênero, contra a liberação das drogas e somos defensores da família brasileira", disse o pre-candidato à reeleição neste sábado (9), no trio principal do evento.
Após ver uma multidão ajoelhada nas ruas do centro paulistano, Bolsonaro clamou pela maioria cristã do país. "Somos a maioria do país, a maioria do bem, e nessa guerra do bem contra o mal o bem vencerá outra vez."
Em seguida, o presidente alertou os fiéis sobre um suposto risco de o Brasil virar uma nação pintada de vermelho socialista. "Que nosso povo não experimente as dores do socialismo", afirmou, pedindo que as pessoas olhassem ao redor da América do Sul. Citou Venezuela e também países que, nos últimos anos, elegeram líderes de esquerda: Argentina, Chile e Colômbia. "Não queremos isso para o nosso Brasil."