Política

A 10 dias das convenções, Bauru já tem mais de 30 pré-candidatos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Daqui a exatos dez dias, têm início as convenções para que os partidos políticos possam deliberar sobre coligações e a escolha de candidatos a presidente e vice-presidente da República para as eleições gerais de 2022, bem como aos cargos de governador e vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Estas últimas discussões precedem o registro das candidaturas e o efetivo início da campanha, que terá menos de dois meses de duração e deverá ser marcada por forte polarização, tendo como principal apelo o tema economia, em razão do encarecimento do custo de vida.

Já em Bauru, o pleito será caracterizado pelo aumento do número de candidatos à Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Ao todo, há pelo menos 33 pré-candidatos com domicílio eleitoral na cidade confirmados por seus respectivos partidos ao JC. Para se ter ideia, na última eleição geral, em 2018, a cidade computou 25 candidatos a deputado, que, juntos, receberam 62% dos votos dos eleitores locais.

Estes 33 nomes, contudo, ainda podem aumentar nas próximas semanas, até o fim das convenções partidárias, que seguirão até o dia 5 de agosto. Ao fim das escolhas, as legendas poderão solicitar o registro das candidaturas perante a Justiça Eleitoral. E, no dia 16 do mesmo mês, começa o período de campanha.

A federação de partidos registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também está habilitada a participar da disputa, sendo que, neste caso, as convenções devem ocorrer de forma unificada, como a de uma única agremiação. Vale lembrar que coligações de legendas para as eleições proporcionais, ou seja, para os cargos de deputado federal, estadual e distrital, estão proibidas. Já para os pleitos majoritários - presidente da República, governador de estado e senador -, elas continuam válidas.

REPRESENTAÇÃO

Segundo o especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos, apesar de fazer parte do processo democrático, o lançamento de vários candidatos em Bauru deverá pulverizar votos, o que pode reduzir as chances de Bauru eleger deputados, especialmente para a Assembleia Legislativa, onde a cidade não conta com representantes desde 2019.

"Acredito que irão se sobressair os que trouxerem uma mensagem de esperança e forem percebidos pelo eleitor com características como empatia e compaixão. Esta eleição ocorre em um momento em que muitas famílias estão tentando se levantar do baque da pandemia, seja por perda de vidas ou econômicas", pontua ele, que é autor do livro 'Entre para Ganhar" e estrategista de campanhas há mais de 25 anos.

Já no cenário estadual e nacional, ele e o doutor em Ciência Politica e professor de Relações Internacionais Bruno Pasquarelli avaliam que desdobramentos políticos e econômicos, como a provável aprovação PEC dos Benefícios e melhoria das condições econômicas das famílias, bem como o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, em 26 de agosto, ainda podem influenciar muito a evolução das campanhas.

POLARIZAÇÃO

"Também vai depender de como os candidatos conseguirão explorar as ferramentas multimídia e se comunicarem com os eleitores, transmitindo não apenas propostas, mas também confiança, já que 95% das pessoas ainda votam de forma emocional", acrescenta Santos.

Para Pasquarelli, considerando que, provavelmente, a disputa à presidência continuará polarizada entre Lula e Bolsonaro até o fim da campanha, o período até os eleitores irem às urnas será de ânimos acirrados, com risco de episódios de violência, como já tem ocorrido em alguns atos políticos. "Infelizmente, valores antidemocráticos estão muito evidentes nesta disputa. Já em relação ao mote que deve conduzir as campanhas, o tema central será, de fato, a economia, mas acredito que setembro será decisivo para a definição das estratégias de cada candidato, porque elas dependem bastante do humor político do momento e já estaremos mais próximos do primeiro turno", completa.

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