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Livro aborda imigração italiana com história da família de uma bauruense

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 3 min

Uma história de luta e sobrevivência de uma família de imigrantes italianos agora contada nas páginas de um livro escrito por uma bauruense. "Pelos vapores do Matteo Bruzzo: a saga da família Giorgi para o Brasil" narra a trajetória dos antepassados de Priscila Gambary, mas também representa a jornada de muitas pessoas que deixaram o velho continente e deram origem a milhões de descendentes brasileiros. O impacto desse episódio histórico foi, inclusive, reconhecido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, a maior do mundo, que, na última sexta-feira (8), confirmou ter adicionado a obra no acervo da instituição.

A ideia do livro surgiu em 2019. "Minha família sempre teve preocupação em preservar nosso passado. Então, eu quis organizar essa trajetória. Essa é a história dos meus ancestrais, mas podemos dizer que também é a de todos esses primeiros imigrantes. Partir (e recomeçar) é uma das decisões mais corajosas que alguém pode tomar", revela a pianista, doutora em música e hoje docente da Universidade Federal de Sergipe.

Após muita pesquisa, com ajuda de diversas pessoas no Brasil e na Itália e quase uma centena de documentos depois, ela reuniu material para contar como o bisavô Eugenio Giorgi saiu da província de Macerata em 1894 com mais seis pessoas para fugir da fome. "A situação era tão miserável que, para obter uma bebida que se assemelhasse ao café, eles torravam raízes de vegetais. E para obter farinha para o pão, moíam restos de alimentos. Estima-se que de 1,5 milhão de habitantes da região, 700 mil deixaram tudo para trás", conta Priscila.

SOBREVIVENTES

No Brasil, a família se instalou primeiro no Espírito Santo. Contudo, poucos meses depois, Eugenio perdeu todos os familiares para uma epidemia de febre amarela e passou a enfrentar sérias dificuldades para sobreviver. O episódio do final do século XIX traça um paralelo com a história recente da própria autora, que em 2021 perdeu oito pessoas da família para a Covid-19. "Foi abraçando a história dos meus antepassados, esse legado de sobrevivência de força e coragem, que encontrei motivação para seguir adiante. O livro virou o projeto mais importante da minha vida", emociona-se.

Do norte capixaba, Eugenio conseguiu emprego na Estrada de Ferro Sorocabana, na região de Botucatu. Casou-se com Olívia e trabalharam em diversas fazendas de café, outro ponto em comum com tantas outras famílias de imigrantes. O casal teve nove filhos, entre eles Tereza, a avó de Priscila, que viveu a maior parte da vida em Salto Grande. Anos mais tarde, o pai dela, Otoniel, seria transferido para Bauru.

MISSÃO

Atualmente, Priscila está na Itália para uma temporada de estudos e divulgação do livro, que já foi traduzido e deve ser publicado em italiano no começo do ano que vem. No Brasil, foi lançado em março pela Editora ArtNer e é distribuído gratuitamente no formato impresso. "Eu queria que o livro fosse um sopro de esperança, um convite ao recomeço, por isso quis compartilhar". Para tanto, basta solicitar uma cópia para a autora pelo e-mail gambary@academico.ufs.br.

Pensando em inclusão, a obra também está disponível gratuitamente em formato de áudio-livro no canal da autora no Youtube (Priscila Gambary).

 

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