Os vereadores aprovaram em dois turnos, nesta segunda-feira (11), o projeto que define o reajuste do vale-compras dos servidores da administração direta, Departamento de Água e Esgoto (DAE) e Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos (Funprev). Porém, durante o debate sobre o projeto centraram seus comentários nas dificuldades financeiras da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), que impedem que também conceda o aumento para seus funcionários. Alternativas para aumentar a receita da empresa e a necessidade de reestruturação de quadro de funcionários foram dois pontos da discussão. Vereadores e representantes do Sindicado dos Servidores Municipais (Sinserm) devem se reunir na manhã de hoje com o presidente, Everson Demarchi, para discutir as possibilidades apontadas durante a sessão.
A exemplo do que ocorreu na semana passada, foram realizadas duas sessões em sequência - ordinária e uma extraordinária - o que possibilitou aprovar em definitivo o projeto, que segue para sanção da prefeita Suéllen Rosim (PSC).
O projeto com o reajuste estava com vistas, desde a semana passada, pedida pelo vereador Eduardo Borgo (PMB), que demonstrou dúvida de que o aumento do valor do vale-compras fosse reajuste ou antecipação do aumento dos dois próximos anos.
Nesta segunda (11), o vereador voltou a questionar o fato de que os funcionários da Emdurb não tiveram o mesmo benefício, e em sua fala relacionou a isenção como uma possível estratégia do Executivo no sentido de privatizar a empresa. "Situação desastrosa para não acreditar que é maldade visando a privatização", afirmou.
Estela Almagro (PT) voltou a lamentar que o reajuste não tenha sido concedido no começo do ano, e já prevendo originalmente também DAE e Funprev.
REESTRUTURAÇÃO
Sobre os problemas financeiros da Emdurb, o presidente da Câmara, Markinho Souza (PSDB), sugeriu que seja feita uma reestruturação do quadro de funcionários, especialmente de alto escalão, como forma de enxugar a folha de pagamento.
Júnior Rodrigues (PSD), líder da prefeita na Câmara disse que as dificuldades da empresa começaram há muitos anos, causadas pelas gestões anteriores da empresa. "Uma granada que explode agora", comparou.
Já Coronel Meira (União Brasil), fez cálculos para defender que é possível aumentar a renda da empresa através da revisão de contratos e incrementos, que gerariam os recursos necessários para cobrir a diferença no valor do vale, segundo ele, representaria um adicional de R$ 267 mil por mês ou R$ 3,208 milhões ao ano, considerando os R$ 375,00 a mais para cada um dos 713 servidores.
A alternativa apresentada por Meira seria por meio dos valores referentes ao arrecadado pelo pagamento de multas por fiscalização de solo (multas por excesso de velocidade, estacionamento irregular, etc), que hoje vão para os cofres da prefeitura.
Citando matéria recente do Jornal da Cidade/JCNET, o vereador lembrou que, em 2021, foram 66 mil autuações, que geraram cerca de R$ 2,456 milhões na arrecadação do município.
Com isso, parte do recurso estaria garantido, e a diferença, na avaliação do vereador, viria por conta do que é pago atualmente para o transporte do lixo orgânico, cerca de 201 toneladas diárias até um aterro de Piratininga, ao custo anual de cerca de R$ 27,700 milhões ao ano. "Entendo que é preciso sentar e conversar. É possível fazer algo para que a Emdurb consiga o montante para poder pagar a diferença dos servidores do vale-compra", afirmou Meira.