A diretoria da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) apresentou uma proposta de reajuste do vale-compras para seus funcionários, prevendo que a diferença do valor seja paga em quatro parcelas nos meses de janeiro e agosto de 2023 e 2024, desde que a empresa alcance um equilíbrio financeiro até dezembro deste ano. A proposta foi recebida por diretores do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), em reunião realizada nesta terça-feira (12), na prefeitura. O chefe de Gabinete, Rafael Lima, representou a prefeita Suéllen Rosim (PSC). Na manhã desta quarta (13) acontece a assembleia dos funcionários que vão deliberar sobre a paralisação ou não dos serviços, com base na proposta apresentada.
Após tomarem conhecimento de que a empresa não teria condições de pagar o mesmo reajuste do vale-compras dado pela prefeitura a servidores da administração direta, DAE e Funprev, os funcionários da Emdurb condicionaram a apresentação de uma proposta pela diretoria à possibilidade de paralisação dos serviços, principalmente entre os funcionários que trabalham como coletores de lixo.
Na reunião desta terça-feira (12), o presidente da Emdurb, Everson Demarchi, alegou que a proposta apresentada foi a única possível, devido à condição de inadimplência da empresa, que acumula resultados negativos desde o ano passado. "A empresa já fechou o ano passado com mais de R$ 11 milhões de prejuízo. Este ano, quando fechamos o primeiro quadrimestre, já tinha uma diferença negativa entre a receita prevista e a realizada de R$ 3,5 milhões. Se continuar assim, vamos fechar o ano com cerca de R$ 10 milhões de resultado negativo. Então, hoje é impossível, não tem como dar um aumento deste", lamentou.
O presidente não descartou a possibilidade de antecipação do reajuste, caso haja um reequilíbrio financeiro antes do final do ano, mas reafirmou que a prioridade tem sido manter salários e o pagamento do vale-compras em dia, além de sanar dívidas com fornecedores.
PARALISAÇÃO
Considerando a possibilidade de greve, o presidente avaliou que pode afetar ainda mais as finanças da empresa, já que reduziria a receita junto à prefeitura, uma vez que os contratos são pagos por produção. "Caso haja greve, não poderemos garantir que o próximo pagamento e o vale-compras não sejam pagos com atraso", antecipou.
Até mesmo o risco de dificuldade para cumprir com o pagamento do 13º salário de seus funcionários já vem sendo considerada, de acordo com o Everson. "Até agora não conseguirmos nenhuma reserva para este pagamento, e só temos mais alguns meses para isso", comentou.
SINSERM
O sindicato avalia que é preciso ações concretas tanto da diretoria da empresa, quanto da prefeitura para dar maior segurança aos funcionários de que existe um empenho em melhorar as condições financeiras da empresa, e que esta melhora será efetivamente repassada aos seus colaboradores.
"Até mesmo para esta proposta os trabalhadores não sentiram segurança, porque está condicionada à melhora das finanças. Mas se, de fato, a empresa apresentasse mudanças em seu organograma para enxugar a estrutura e demonstrasse os realinhamentos dos contratos, haveria maior segurança. Quando que de forma austera a administração vai sanear a empresa?", questiona José Francisco Martins, advogado do sindicato.