Um crime que repercutiu em todo o País, ocorrido no último domingo (10), no Paraná, ganhou, imediatamente, contornos políticos. O assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda, filiado ao PT, pelo agente penitenciário Jorge José da Rocha Guaranho, declarado bolsonarista, inflamou discussões em relação à polarização estabelecida entre os dois principais candidatos à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT). A importância de as lideranças pregarem serenidade para evitar possíveis ondas de violência até as eleições foi o tema do debate desta semana do programa Café com Política, transmitido pela 96FM em parceria com o Jornal da Cidade/JCNET, nas redes sociais e portais.
O risco de uma explosão na violência foi analisado pelo convidado, o jornalista e assessor parlamentar Arnaldo Ribeiro, na conversa com o jornalista Ricardo Bizarra, o economista Reinaldo Cafeo, o diretor de Jornalismo do Jornal da Cidade, João Jabbour, e o especialista em Marketing Político e Comunicação Eleitoral Kleber Santos.
Ribeiro lamentou as mudanças ocorridas nos relacionamentos interpessoais, que passaram a priorizar o que, antes, era secundário. "[O crime] tem que ser averiguado, mas também não podemos pegar um caso e generalizar, jogando a culpa em A ou B. Antes, a última coisa que se queria saber ao conhecer uma pessoa era o seu partido ou sua religião. Hoje, é o primeiro assunto, se o outro é de esquerda ou de direita".
Cafeo analisou que, com o crescimento do grupo identificado à direita no espectro político, mais conservador, houve uma mudança no debate desde a eleição do atual presidente, já que, durante muitos anos, as principais lideranças se enquadravam mais à esquerda.
REQUER ISOLAMENTO
O jornalista João Jabbour ressaltou que é preciso enxergar o caso com o isolamento que ele requer. "Não dá para 'fulanizar' a discussão. Em todas as mortes e brigas, tem quem torce para o São Paulo ou para Corinthians, quem é católico ou protestante, e, neste caso, tem quem é Bolsonaro ou Lula. Nós não temos que fazer essa relação. A palavra de ordem neste momento tem que ser serenidade, principalmente partindo das lideranças. E tenho visto isso: as lideranças não estão jogando mais lenha nesta fogueira".
Usando a metáfora de um maestro que rege uma orquestra, Kleber Santos também destacou essa importância dos líderes no controle do clima violento. "Estamos vivendo um ambiente novo no Brasil. O que, antes, era adversário, agora, é inimigo. Cabe aos líderes baixar a fervura. A batuta do político é a palavra, o que ele diz dá o ritmo da campanha eleitoral. Quando o político tem discurso violento, postura violenta, acaba estimulando a atitude truculenta. Então, se ambos os candidatos baixarem o tom, os militantes vão baixar também", afirmou.
O jornalista Ricardo Bizarra ponderou o quanto uma terceira via poderia minimizar o clima de violência, mas Arnaldo Ribeiro opinou que a definição já quase certa para o segundo turno deve adiar essa possibilidade. "Os sinais são de que essas alianças aconteçam mais no segundo turno", avaliou Ribeiro.