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Doce: difícil resistir


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Depois do almoço ou do jantar, por maior que tenha sido o prato, muitas vezes surge a vontade de comer uma sobremesa. Principalmente quando se trata de doce. Endocrinologistas e nutricionistas realizam estudos para explicar por que uma pessoa, mesmo satisfeita, não recusa um pedaço de torta ou um sorvete mesmo depois de uma refeição pesada.

Em reportagem do jornal espanhol El País, o endocrinologista Pablo Suárez Llanos, da Unidade de Nutrição Clínica e Dietética do Hospital Universitário Nossa Senhora de Candelaria, em Tenerife, na Espanha, afirmou que a ciência ainda investiga a interação entre o sistema endócrino e o sistema nervoso central para regular a fome ainda é obscura. Segundo eles, dois hormônios com funções opostas atuam ao mesmo tempo: a leptina, que se relaciona à saciedade, e a grelina, ligado à fome.

A leptina regula o equilíbrio energético a longo prazo e promove a manutenção do peso. Ela é secretada pelas células de gordura quando detectam que há depósitos suficientes, informando ao cérebro para suprimir o apetite e parar de comer. Mas seus níveis não variam com uma ingestão isolada nem têm ação imediata. "Ela precisa de estímulos contínuos ao longo do tempo para se modificar. Tem mais a ver com os comportamentos alimentares e com a quantidade de gordura que cada um tem", disse López Llanos.

A grelina, produzida pela mucosa que reveste o estômago, exerce, ao contrário da leptina, uma ação rápida que induz o apetite nos centros neuronais de saciedade e a fome do hipotálamo, e intervém no início das refeições. O fator fundamental para sua liberação no sangue é o esvaziamento gástrico.

"Quando o estômago está mais vazio, a sensação de um buraco nele faz com que a grelina seja sintetizada e a pessoa sinta fome. Parece que pode haver picos às 8h, 12h e 20h, e é por isso que também queremos comer nesses horários do dia", frisou o médico. Uma revisão biomédica recente publicada na Pharmacological Research avaliou as complexas interações da grelina com os sistemas fisiológicos para a regulação do prazer e do estresse. Esta última relação é o que leva ao pensamento de "eu mereço este bolo", após situações de estresse ou episódios de ansiedade.

"A grelina promove a ingestão, o armazenamento de gordura, a diminuição do metabolismo basal, a economia de energia e a fome por alimentos com alto teor calórico ou açucarado", acrescentou Guadalupe Sabio, professora e pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Cardiovascular, da Espanha, apontando para mais uma das chaves do nosso espaço insaciável para produtos de confeitaria.

Existem outros receptores que são estimulados por alimentos ricos em açúcares e gorduras, acrescenta ela. "O sistema é muito mais complexo do que um simples hormônio que faz "liga-desliga" na vontade. Obviamente, cada um de nós gosta de um tipo de comida, e isso vai estimular os receptores de recompensa no nosso cérebro", afirmou a especialista.

De acordo com os estudos científicos, os alimentos ricos em açúcares e gorduras ativam os centros de prazer no cérebro, especialmente se combinados em alimentos processados - como muitas sobremesas -, a ponto de alguns cientistas considerá-los capazes de gerar um verdadeiro "vício em comida" como apontaram três pesquisadores em 2015 na revista científica PLOS One.

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