Criar novos produtos ou aprimorar outros já existentes para melhorar a produtividade e competitividade de indústrias e grandes companhias. Esse é o trabalho executado por um bauruense, líder de uma empresa de soluções tecnológicas que, hoje, possui dispositivos considerados únicos no mundo em segmentos como fornecimento de energia elétrica e usinagem.
"Frequentemente, as empresas nos procuram com um problema. Cabe a nós pensar na saída a esse problema", conta Fabio Dotto, presidente da Farol Consultoria e Pesquisa, que, segundo ele, é a única em Bauru a trabalhar no desenvolvimento de protótipos de equipamentos físicos aos clientes. "Hoje, temos, no mercado, diversos desenvolvedores de softwares. Mas, nós trabalhamos com criação de novos dispositivos. É uma área com menos atores, porque muitas companhias não investem em pesquisa e desenvolvimento".
Atualmente, a empresa conta com uma equipe de, ao menos, dez profissionais, cada um responsável por uma etapa da criação do respectivo dispositivo, como projeto, registro, desenvolvimento de software, hardware, testagem e coleta de dados em campo.
Entre as criações, estão dois produtos com funcionalidades praticamente únicas no mundo, segundo Dotto. O primeiro deles é um sensor de emissão acústica, usado para diagnosticar, por exemplo, falhas em equipamentos de usinas. "Ele funciona como uma espécie de ultrassom. Se tiver algum problema em uma peça, ele é capaz de apontar essa falha. Isso pode representar economia em manutenção preventiva, por exemplo". De acordo ele, até há dispositivos similares no mercado estrangeiro, porém, são bem maiores e difíceis de operar, têm menos funcionalidades e custam até dez vezes mais.
O aparelho criado em Bauru é capaz de emitir 2 milhões de impulsos sonoros por segundo. O resultado é visualizado em forma de gráfico, detalhando cada movimento da peça defeituosa. "Conseguimos ver o que, a olho nu, às vezes, não aparece, como uma trinca que logo poderia resultar na quebra do equipamento e na paralisação da linha de produção", explica.
Nos últimos dez anos, foram, ao menos, 60 projetos de inovação. Desses, 25 resultaram em registro de patente, ferramenta fundamental para proteção da exploração econômica (leia mais abaixo).
ALTA TENSÃO
Outra criação de destaque é um detector de alta tensão de corrente contínua, usado em redes de energia elétrica. Conectado a um varão com 6 metros de comprimento, o equipamento é capaz de verificar se há corrente nos cabos que fornecem energia antes de técnico começar a trabalhar na torre, a fim de garantir a segurança do profissional.
Segundo Fabio Dotto, havia apenas três fabricantes em todo o mundo, cujos dispositivos não forneciam as mesmas informações do protótipo desenvolvido em Bauru. "O equipamento francês, por exemplo, tem apenas um sinal sonoro. E se essa sirene queimar? O nosso tem indicadores visuais, é capaz de dizer qual é positivo e qual é negativo e aponta o nível de tensão da corrente".
O valor da manutenção desse tipo de aparelho também pesa na decisão das companhias. Como precisa ser recalibrado de tempos em tempos, o custo com frete e o prazo de espera desses equipamentos seriam bem maiores no Exterior do que se esse trabalho fosse feito no Brasil. "Podemos atualizar o nosso equipamento aqui, de forma mais rápida e barata", conclui.