Para marcar o segundo dia de greve, servidores da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) realizaram, na manhã desta terça-feira (19), um protesto em frente ao Palácio das Cerejeiras. Na oportunidade, conseguiram conversar com a prefeita Suéllen Rosim (PSC) e com o presidente da empresa pública, Everson Demarchi.
Ambos reiteraram que não dispõem de qualquer proposta nova, além da já apresentada anteriormente, porque a Emdurb não tem saúde financeira. Assim como ontem, 100% dos motoristas, coletores de lixo orgânico e recicláveis aderiram ao movimento e nenhum caminhão saiu às ruas para recolha dos resíduos sólidos nos bairros, de acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm).
A entidade acompanhou a manifestação, que já se dispersou, e se reunirá com os funcionários dos próximos turnos, também paralisados. Na tentativa de reverter a situação, a diretoria da empresa pública decidiu recorrer à Justiça.
Até a noite desta segunda, a companhia trabalhava para elaborar e protocolar pedido de liminar junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15.ª Região, em Campinas, solicitando a garantia imediata de execução de ao menos 70% de todos os serviços, que são considerados essenciais. Além dos funcionários da coleta, a greve também contou com a adesão de 32 trabalhadores do setor de varrição e quatro que atuam no Cemitério do Redentor, segundo informou a Emdurb.
Conforme o JC divulgou, na semana passada, a Câmara Municipal aprovou projeto do Executivo que majorou o vale-compras de servidores da administração direta e indireta, de R$ 625,00 para R$ 1.000,00, sem contemplar os funcionários da Emdurb. Na tentativa de apaziguar os ânimos, a empresa propôs que a diferença de R$ 375,00 fosse concedida gradativamente, nos meses de janeiro e agosto de 2023 e de 2024.
Assim, em cada um destes quatro momentos, o acréscimo seria de R$ 93,75. A oferta, contudo, foi condicionada: só seria garantida se a companhia alcançasse equilíbrio financeiro até dezembro deste ano. A sugestão foi rejeitada pela categoria e, cientes de que a diretoria não apresentaria contraproposta e que já se movimentava para judicializar a questão, os servidores decidiram, nesta segunda-feira, que não manteriam qualquer percentual do serviço de coleta.
Á ESPERA
"Os trabalhadores realizaram nova assembleia e deliberaram por aguardar a decisão judicial. Os encaminhamentos serão definidos após intimação do Sinserm, com base no teor desta decisão", informa o advogado do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), José Francisco Martins, acrescentando que a diferença do valor do vale-compras foi apenas o estopim da paralisação, visto que os funcionários têm outras insatisfações, como a precariedade das condições de trabalho.
Ao JC, o presidente da Emdurb, Everson Demarchi, reforçou que, de fato, a empresa pública não apresentará contraproposta financeira à categoria, porque poderia incorrer em crime de responsabilidade fiscal, devido à condição de inadimplência da companhia.
Atualmente, são mais de R$ 20 milhões em dívidas de tributos e com fornecedores. Ele acrescenta, ainda, que a receita deste primeiro semestre foi de R$ 27,5 milhões, sendo que a despesa total no período chegou a quase R$ 35,3, o que corresponde a um déficit de R$ 7,8 milhões acumulado somente de janeiro a junho.
Entre as medidas que visam o reequilíbrio financeiro da Emdurb, está um Plano de Demissão Voluntária (PDV), que está sob análise do Jurídico. "A ideia é oferecer algumas vantagens a servidores que estão há algum tempo na empresa e que tenham interesse em aderir à iniciativa. O objetivo é diminuir despesas com esses salários mais altos, que têm benefícios acumulados", completa.