As altas temperaturas registradas neste inverno, associadas ao longo período de estiagem e baixa umidade relativa do ar, geram um alerta para o grande risco de incêndios, inclusive na zona rural, onde áreas com mato seco podem ser tomadas pelas chamas muito rapidamente, prejudicando lavouras. Diante do aumento desse tipo de ocorrência nesta época do ano, a Associação dos Plantadores de Cana (Associcana) da Região de Jaú está reforçando aos produtores a necessidade de adotar medidas preventivas nas propriedades, até mesmo para evitar multas.
Por meio da Campanha de Conscientização, Prevenção e Combate aos Incêndios, lançada anualmente, a entidade reitera a importância de se tomar 14 providências, como a manutenção de aceiros e a adoção de um plano preventivo e do protocolo agroambiental paulista Etanol Mais Verde, que completou 15 anos e estabeleceu, entre outras diretrizes técnicas, a eliminação da queima da cana-de-açúcar para fins de colheita.
"Hoje, estas queimadas controladas não existem mais, até porque sustentabilidade é uma exigência também do mercado internacional. Porém, ainda temos incêndios, naturais ou criminosos, que podem começar com uma bituca de cigarro na beira da estrada. Estas ocorrências tendem a aumentar na época de seca e, para piorar, o volume de chuvas tem diminuído nos últimos anos", descreve Eduardo Vasconcellos Romão, presidente da Associcana da Região de Jaú e da Associação Mundial dos Produtores de Beterraba Açucareira e de Cana (WABCG).
ABRANGÊNCIA
A Associcana da Região de Jaú abrange 15 municípios e conta com cerca de 700 associados, em sua maioria pequenos e médios produtores rurais. Segundo Romão, contudo, campanhas de prevenção e combate a incêndios são realizadas neste período de estiagem por outras 24 entidades no Estado.
Ele explica que uma portaria publicada pela Coordenadoria de Fiscalização Ambiental, em 2017, estabeleceu estas 14 medidas para que proprietários de áreas canavieiras possam demonstrar o não cometimento de infração diante de um eventual incêndio. "Um critério, por exemplo, é pertencer à Rede Integrada de Emergência (Rinem) ou ao Plano de Auxílio Mútuo (PAM), em que brigadas treinadas, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil se mobilizam, de forma coordenada, para combater as chamas", frisa.
BIOTA DE SOLO
Em entrevista concedida no Espaço Café com Política do JC nesta quarta-feira (20), Romão também destacou que tem crescido, entre os produtores de cana-de-açúcar, o uso de palha como fertilizante para as lavouras. Ele explica que o material funciona como uma espécie de isolante térmico e ajuda a preservar a umidade do solo, proporcionando um ambiente adequado para que a biota, ou seja, micro-organismos como bactérias e fungos, faça seu trabalho.
"Em um centímetro cúbico de solo, há mais de um milhão de seres vivos que digerem a matéria orgânica e fornecem nutrientes para a planta. E, hoje, a tecnologia está desenvolvida o suficiente para que haja uma criação intensiva, o que proporciona economia, porque diminui em 10% a 30% a necessidade de uso de outros fertilizantes", acrescenta.
Considerando o receio de desabastecimento destes adubos no mundo e os preços elevados a que eles estão sendo comercializados no mercado internacional, esta ciência, chamada microbiologia de solo, tem sido, atualmente, o tema dominante de aproximadamente 80% dos eventos agronômicos.