Washington - Nesta quinta-feira (21), o BCE elevou a taxa de juros da Europa em 0,50 ponto percentual, de -0,5% para zero, juntando-se a seus pares globais no aumento dos custos de empréstimo. Foi o primeiro aumento de juros pelo banco central da zona do euro em 11 anos.
Após a decisão de política monetária no Velho Continente, o euro operava em leve baixa de 0,15% frente ao dólar por volta das 13h45, cotado a US$ 1,0176. No dia 12 de julho, a moeda europeia, que vinha ao longo dos últimos meses em uma trajetória de enfraquecimento contra o dólar, atingiu a paridade em relação à divisa americana, algo que não se via desde 2002.
Os analistas de mercado não esperam, contudo, que a moeda única do bloco europeu tenha força para registrar uma forte valorização frente ao dólar a partir de agora.
A expectativa é a de que, com o aumento dos juros pelo BCE, o euro consiga ao menos defender o patamar de paridade de um para um ante a moeda norte-americana, mas sem espaço para ir muito além disso por enquanto, diz Jefferson Rugik, diretor de câmbio da corretora Correparti.
No caso do Brasil, Rugik afirma que a tendência é de que, tanto o euro, como também o dólar, sigam no processo recente de fortalecimento contra o real.
Em um cenário internacional que já reserva uma série de incertezas no horizonte, com desaceleração econômica global, alta dos juros, guerra na Ucrânia, e novas restrições de mobilidade na China, a piora da percepção do mercado em relação ao risco fiscal e as dúvidas sobre a condução da política econômica a partir de 2023 devem manter o real pressionado em relação às moedas dos mercados desenvolvidos, diz o diretor da Correparti.
Ele acrescenta que, com o dólar beirando o patamar de R$ 5,50 frente ao real, não se surpreenderia caso o Banco Central venha a intervir no mercado com a compra de dólares.