O Ministério Público (MP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu denúncia à Justiça contra o ex-presidente da Companhia Habitacional Popular de Bauru (Cohab) Edison Gasparini e familiares, por organização criminosa utilizada para a promoção de dezenas de lavagens de dinheiro. Os denunciados, além do ex-presidente, são a esposa dele, Izabel Cristina Gonçalves Dias Gasparini; a filha Mariana Gonçalves Dias Gasparini; a sogra, Maria Luzia Giacometo Dias; e o ex-diretor financeiro da companhia, Paulo Sérgio Gobbi.
O advogado de defesa da família Gasparini, Leonardo Magalhães Avelar, afirma que há falhas na acusação e vai contestar (leia ao final).
Os trabalhos decorrem da segunda fase da Operação João de Barro, deflagrada em dezembro de 2019, quando o Gaeco apurou a prática de desvios milionários que seriam realizados pelo ex-presidente e outros servidores da Cohab, informa o MP.
Agora, na nova denúncia, o Ministério Público apresenta ao Juízo da 4.ª Vara Criminal de Bauru o resultado de profunda investigação conduzida ao longo de meses, que buscou a apuração da realidade patrimonial de Edison e sua família. "Após a promoção de diversas provas, especialmente a quebra de sigilo bancário e fiscal, constatou-se que o grupo criminoso promoveu o branqueamento do dinheiro subtraído dos cofres públicos por meio de diversos métodos de lavagem, como a utilização de produtoras rurais, a compra e venda de propriedades urbanas e rurais, a ocultação de bens e valores (de gado, café e dinheiro em espécie), bem como movimentação espúria de contas bancárias, essa última metodologia conhecida como estruturação (Smurfing) e mescla patrimonial (Commingling)", explica o Gaeco.
Informa ainda que MP logrou identificar número expressivo de transações imobiliárias, rurais, comerciais e bancárias realizadas com o precípuo fim de lavar o dinheiro proveniente, direta e indiretamente, dos desvios de dinheiro da Cohab. Antes da nova denúncia, o Gaeco já havia obtido o sequestro cautelar de casas, apartamentos, chácaras, fazendas, gado, café e automóveis dos denunciados, bem como o bloqueio de contas bancárias e apreensão de quantias milionárias.
Finalizada a segunda denúncia da Operação João de Barro, os trabalhos de investigação prosseguem, ainda voltados à apuração de outros possíveis crimes de lavagem de capitais, com o envolvimento de novas pessoas, finaliza o Gaeco.
DEFESA
O advogado da família Gasparini, Leonardo Magalhães Avelar, afirma: “A denúncia confunde conceitos técnicos primários sobre o delito de lavagem de dinheiro. Ao que tudo indica, especialmente pelo indevido envolvimento de familiares de Edison Gasparini na peça acusatória, a narrativa acusatória não passa de exaurimento da perseguição política que vem ocorrendo desde o início da investigação. A espetacularização da operação se revela em uma denúncia repleta de falácias argumentativas. E, não por acaso, a denúncia tem 565 folhas. Fica a pergunta: quem tem razão precisa de 565 folhas para demonstrar seu ponto? Por fim, importante destacar que a instrução criminal revelou graves ilegalidades na condução da investigação originária, que serão descortinadas no momento processual adequado.”
Ainda não conseguimos contato com o (a) advogado (a) de Paulo Sérgio Gobbi.