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Outros esportes

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Pela presença do pronome "outros" já sabemos que o presente artigo não é sobre futebol. Ainda que seja a preferência nacional, o ópio popular da 'bola redonda' não é exclusividade. De imediato esclareço que sou técnico, plateia e comentarista a partir do sofá, local de fala e de estabelecimento de um sedentarismo quase depressivo.

Em meados de julho, período em que houve simultaneamente final da Liga Mundial de Vôlei Feminina, Rayssa Leal faturando mais uma conquista no skate, Mundial de Atletismo com múltiplas disputas e emoções, Mundial de Ginástica disputado no Brasil, os cadernos de Esporte se limitaram praticamente ao futebol. Deveriam mudar o nome para subscrever apenas o ludopédio, esquecendo que, apesar desse ser o líder na preferência nacional, repito, os demais esportes têm um grande e fiel público cativo.

Para ilustrar tal paradigma, fiz uma quantificação em importante jornal do interior paulista. Ali houve uma mudança experimental na sequência do caderno Esportes, cujas páginas foram colocadas ao final do conjunto de cadernos, o que parece ter agradado aos leitores. No que pese tal alteração, questionei se o nome não deveria ser apresentado no singular ou mudado para Futebol, mas não obtive resposta.

Nas 21 edições analisadas, foram 42 páginas publicadas nessa seção, das quais apenas e tão somente uma página e meia foi dedicada a outros esportes que não o futebol. Apenas 4% do total e de forma fragmentada em textos curtos e notas! Isso contradiz os estudos que mostram que as demais atividades esportivas não são desprezíveis, incluindo o basquete (especialmente a NBA), o vôlei, a natação e o tênis.

Vários desses eventos estavam acontecendo no mundo todo, até com participação de brasileiros, e não foram noticiados a contento. Assim, não sendo crítica, apenas uma sugestão, não seria o caso de repensar a ênfase e o nome do caderno?

O autor é pesquisador na Unesp de Rio Claro.

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