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Greve: queixas aumentam, 25 animais são encontrados em lixos e ONG aciona a polícia

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Restando quatro dias para Bauru comemorar seu aniversário de 126 anos, a greve dos coletores de lixo da Emdurb se arrasta pelo seu 11.º dia nesta quinta-feira (27). Apesar dos esforços da força-tarefa da prefeitura, no último final de semana, os sacos de lixo seguem se aglutinando desde segunda-feira em quase todas as esquinas da cidade, reclamam os leitores e internautas que procuram o JC. E um boletim de ocorrência (BO) foi registrado pela ONG Naturae Vitae, nesta terça-feira (26), denunciando crime ambiental pelo acúmulo de lixo na cidade e o descarte irregular de animais domésticos mortos em via pública.

O BO foi efetuado na Polícia Civil pela advogada Thais Viotto, diretora Jurídica da ONG, que é uma sociedade protetora dos animais e do meio ambiente. A entidade denuncia que contabilizou na última semana 25 animais descartados irregularmente, junto com lixo, em diferentes localidades. No último final de semana, as voluntárias encontraram carneiros esquartejados e ensacados com lixo comum, próximo da área de preservação ambiental, ao lado do IPMet, no bairro Chácaras Bauruenses.

Outra situação que chocou Thaís Viotto foi o de encontrar dois filhotes de cachorro, recém-nascidos, descartados na calçada da quadra 4 da rua Presidente Kennedy, no Centro, em meio a restos de comida. A ONG relatou ao JC que interpretou juridicamente essa situação como crime ambiental e responsabilizou a prefeitura e a Emdurb, já que o autor ainda é desconhecido.

"Diante da inércia do Poder Público, sentimos que munícipes, devido a coleta irregular, se aproveitam da situação para também fazer o descarte de maneira inadequada. Esse crime ambiental no qual registramos o BO tem três pilares, o dos munícipes infratores, a prefeitura e a Emdurb, igualmente responsáveis. A situação saiu do controle", comenta a advogada.

Thaís Viotto acrescenta que os animais domésticos têm um valor moral e sentimental muito grande. "Precisamos ter em Bauru um local digno de repouso para eles, e não um lixo ou qualquer terreno por aí. Falta a prefeitura e a Câmara olharem com mais carinho para esta necessidade", complementa.

MAIS TRANSTORNOS

As críticas se alastram nas redes sociais na mesma proporção dos sacos de lixo nas calçadas. A queixa mais comum é que, apesar dos 55% do efetivo dos servidores estarem cumprindo o serviço de coleta, a quantidade é desproporcional, além de a Emdurb não cumprir o itinerário de bairros divulgados. E com o passar dos dias, cães de rua vão rasgando os plásticos, em busca de alimentos, espalhando resíduos em via pública.

No Alto Paraíso, por exemplo, era para a coleta ter passado na noite desta terça-feira, mas boa parte dos moradores ficaram só na expectativa. Uma mulher que reside neste bairro disse ao JC, preferindo não ter o nome divulgado por constrangimento, que está devolvendo restos de comida na geladeira e armazenando por vários dias, para não feder no lixo exposto ao sol, seja dentro de casa ou na calçada.

Já na rua Uruguai, no Jardim Terra Branca a reclamação enviada ao jornal é que não houve coleta nos últimos 10 dias em diversas ruas, desde que a greve foi iniciada. A reportagem também localizou lixo aglomerado em sacos bem no meio de um rotatória, que liga as ruas Ramiz Tayar e Padre Antônio Scazzi, no Bauru 16.

Por volta de 20h40 desta quarta-feira (27), a prefeitura de Bauru distribuiu um comunicado à imprensa de que a normalização da coleta deve acontecer gradativamente devido a contratação de empresa privada para a coleta de lixo, em caráter emergencial.

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