Regional

Homem atropelado por padre após furto morre em Santa Cruz

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Morreu na manhã desta quarta-feira (27), na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru), Angelo Marcos dos Santos Nogueira, 40 anos, conhecido como "Anjinho", atropelado pelo padre Gustavo Trindade dos Santos no último dia 7 de maio, após furtar peças de roupas da casa paroquial da Igreja de São Sebastião. Com a morte dele, o exame necroscópico será feito e, se o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontar que o óbito tem relação com o atropelamento, o religioso, que é réu em ação por tentativa de homicídio qualificado, poderá responder por homicídio consumado.

A morte de Nogueira foi confirmada pela Polícia Civil. Ele chegou a ficar internado em estado grave por vários dias após o atropelamento, em Santa Cruz e em Ourinhos, recebeu alta, mas ficou com sequelas. Recentemente, voltou para o hospital, mas, ontem de manhã, acabou não resistindo. Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Ministério Público (MP) informou que "serão determinadas diligências nos autos visando à realização do exame necroscópico, segundo informações já em andamento pela Polícia Civil".

"Com a realização do exame necroscópico, a perícia determinará, de forma técnica, se a morte da vítima decorreu da natural evolução dos ferimentos, ou de complicação destes, causados pelo atropelamento. Se positiva a resposta pericial, existirá nexo de causalidade entre a conduta inicial do denunciado e a morte da vítima, o que determinará o aditamento da denúncia, a qual, inicialmente, se deu na modalidade tentada, para tipificar o crime consumado, visando à adequação fática da imputação da qual deverá se defender o acusado", explica.

Ainda segundo o MP, se a perícia concluir que a morte não teve relação direta e decorrente do atropelamento, o processo continuará seu trâmite da forma como está, "com a tipicidade posta na denúncia, isto é, na modalidade tentada, estando, hoje, aguardando a citação do denunciado". Ontem, a Diocese de Ourinhos publicou nota de pesar em sua página no Facebook lamentando a morte de Nogueira e se solidarizando com amigos e familiares dele.

RELEMBRE O CASO

Conforme divulgado pelo JC, no dia 7 de maio, por volta das 20h40, uma câmera de segurança na avenida Tiradentes, Centro de Santa Cruz do Rio Pardo, registrou o momento em que carro da Diocese de Ourinhos perseguiu e atropelou, na calçada, Angelo Marcos dos Santos Nogueira, que havia furtado roupas da igreja.

Após o atropelamento, o condutor, identificado como Gustavo Trindade dos Santos, pároco da Paróquia de São Sebastião, engatou ré e deixou o local sem prestar socorro à vítima, que foi internada em estado grave. O padre foi afastado de suas atividades religiosas.

O inquérito instaurado para apurar o caso foi concluído no fim de maio, sem o depoimento do religioso, e ele foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado. O MP denunciou o padre pelo mesmo crime e a denúncia foi aceita pela Justiça em 22 de junho. Com isso, ele tornou-se réu em ação penal e poderá ser julgado pelo Tribunal do Júri.

Durante as investigações, a Polícia Civil chegou a representar duas vezes à Justiça pela decretação da prisão preventiva do religioso, mas os dois pedidos foram negados. Em depoimento à polícia, por videoconferência, o padre afirmou que jogou o carro na direção do suspeito apenas com a intenção de pará-lo e que não parou para prestar socorro por acreditar que ele pudesse estar armado.

Comentários

Comentários