Política

As pesquisas e os debates ajudam ou atrapalham campanhas e candidatos?

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

As pesquisas e os debates eleitorais podem servir como importantes ferramentas para nortear as ações de campanhas eleitorais, assim como para proporcionar que os eleitores conheçam os candidatos. Porém, enquanto os debates podem se tornar um risco para candidaturas, expostas a ataques sorrateiros de adversários, as pesquisas, por outro lado, podem levar estrategistas ao erro se apostarem todas as fichas de uma campanha apenas no que indicam os números.

O programa Café com Política desta sexta-feira (29) abordou, entre outros, estes dois assuntos, inclusive para tentar entender por que as pesquisas de intenção de votos publicadas semanalmente por institutos de pesquisas divergem nos números para a corrida ao governo federal. Três delas, divulgadas na última semana, têm indicações discrepantes entre as intenções de voto do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Lula (PT).

Para o empresário Caio Coube, que já concorreu à Prefeitura de Bauru e a deputado estadual, e foi o convidado do programa, é preciso ponderar que as pesquisas indicam uma imagem limitada de um momento das campanhas ou pré-campanhas, que geralmente mudam com o passar do tempo ou de acordo com a influência causada pelos próprios candidatos e pelo cenário político.

O apresentador do programa, economista Reinaldo Cafeo, lembrou que especialistas em metodologias já ouvidos pelo Café com Política ressaltam que o grande número de indecisos também pode afetar as tendências dos candidatos.

Tanto que João Jabbour, diretor de jornalismo do Jornal da Cidade, pontuou que as mudanças positivas no desempenho do presidente Bolsonaro, recentemente, divulgadas por uma das pesquisas, ajudam a reforçar essa ideia. "Ele teve evoluções em setores que não tinha, por exemplo entre as mulheres e os trabalhadores que ganham até dois salários mínimos", comentou.

GRUPOS DE ELEITORES

O especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos confirma que a partir deste momento da pré-campanha a preocupação com os grupos específicos de eleitores aumenta. Kleber informou que a pesquisa DataFolha, divulgada nesta semana, mostra aumento da intenção de votos de mulheres para Bolsonaro e de homens para Lula. "Estamos vendo que as medidas de campanha e do momento político estão acontecendo", avalia.

A metodologia das pesquisas também foi ponderada por Kleber e Caio, que opinaram sobre a importância dos critérios para o resultados dos levantamentos, por exemplo, quando as entrevistas são presenciais ou por telefone. "Este é um critério que influencia, segundo especialistas, que defendem que o presencial retrata mais a realidade porque, por exemplo, as classes de menor renda não têm tempo ou disponibilidade para atender ao entrevistador por telefone", explicou o empresário.

DEBATES

Sobre a influência dos debates, que serão em menor numero, na definição da opinião do eleitor, Kleber Santos avaliou que o evento favorece apenas candidatos desconhecidos, o que não é o caso da disputa atual para o Governo Federal. "A grande maioria dos eleitores não troca de candidato com base no que vê e ouve durante o debate. Normalmente, o debate reforça as qualidades que o eleitor já vê no candidato".

Caio ponderou que no caso dos dois principais concorrentes à Presidência, pode ocorrer o contrário. Como já são bem conhecidos, Lula e Bolsonaro tentarão não ser confrontados em suas deficiências.

Para Kleber, os debates não exercem influência na visão do eleitor sobre a competência do candidato, mas de seu caráter, e o recorte feito depois da exibição ao vivo pode levar à perda ou ganho do voto. "Este é o perigo do debate. (Os recortes) influenciam muito mais. Como hoje não se tem controle disso, o problema é o que se faz com o debate depois dele (ao vivo)", pondera.

Na avaliação final sobre o evento que coloca dos candidatos e suas ideias frente a frente, Jabbour define: "O debate é da mídia, não é da política...".

 

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