Lisboa - A Justiça portuguesa anunciou nesta semana a abertura de dez inquéritos sobre casos de suspeita de assédio sexual por parte de membros da Igreja Católica no país. As investigações se basearam em depoimentos de vítimas prestados a uma comissão independente criada justamente para apurar esse tipo de situação.
Desde janeiro o colegiado recolheu 352 testemunhos, segundo o balanço mais recente, do início deste mês. O número, segundo a imprensa portuguesa, representaria só a ponta do iceberg. "Na realidade, o número de vítimas é muito maior", disse o psiquiatra Pedro Stretch, que chefia o grupo, citando que os depoimentos muitas vezes dizem respeito a mais de uma vítima.
Ainda que a maior parte dos casos tenha ocorrido décadas atrás --e portanto já esteja sujeita a regras de prescrição--, 17 relatos foram encaminhados ao Ministério Público e deram origem a dez inquéritos iniciais. Destes, três já foram arquivados, devido à falta de provas ou ao fato de terem sido investigados no passado.
O órgão não deu mais detalhes sobre o andamento das apurações.
A comissão independente de Portugal foi formada depois de um processo semelhante na França ter revelado, no ano passado, que cerca de 3.000 membros da Igreja abusaram de mais de 200 mil crianças e jovens.