Os mais velhos diziam que quem tomasse água de Bauru aqui ficaria. Será profecia? Aqui estamos. Os que saem querem voltar e muitos voltam.
Observem. Quiseram que Bauru fosse a capital do Estado de São Paulo e o JC a transformou no seu coração. A cidade cresceu e, aos poucos, foi perdendo ares de interior.
Tão recentemente, as nossas vidas eram diferentes. As pessoas se conheciam, ainda que de vista. De repente, anônimos são maioria. Personagens lendários desapareceram. Os lugares são outros. Os fatos, porém, continuam inusitados. Nada é previsível na terra "sem limites".
Uma virtude de Bauru: as pessoas nunca foram reduzidas às procedências e classes sociais. Talvez essa diferença lhe faça tão especial. Bauru, aos 126 anos, depara-se com a maturidade de uma cidade em expansão, que precisa reconhecer suas potencialidades para ampliar vocações. Ou será mais do mesmo, desperdiçada.
Apesar de tudo, o que não muda é o sentimento de pertença. O amor por Bauru contagia aqueles que estruturam suas vidas por aqui e até dos que apenas passam. Esta paixão, inexplicável, deve ser praga daqueles bauruenses inatos, em extinção.
Parabéns Bauru, amaldiçoada por um padre, do trem de ferro sucateado, desvirginada no cabaré da Eny, que implodiu-se para expulsar Ernesto Geisel, que teve uma puta lembrada por Cazuza e que acolheu o mundo das pessoas com fissuras palatais.
Cresça muito, Bauru, mas continua sendo plural, de todos e tão súbita, de fatos estranhos e, por vezes, inacreditáveis. Seja gigante, mas não perca a graça...