Comerciantes instalados entre as quadras 7 e 15 da avenida Rafael Pereira Martini, no Jardim Redentor, têm vivido dias de apreensão por conta de uma onda de furtos registrada neste importante corredor comercial de Bauru. Como se fossem alvo de um ‘rodízio’, relatam que, nos últimos 30 dias, diversos estabelecimentos foram invadidos, na madrugada. Ladrões já entraram (ou tentaram) em farmácias, academia, pet shops, açougue e sorveterias, por exemplo.
Muitos foram obrigados a reforçar a segurança: uns investiram em câmeras de monitoramento e acompanham as imagens no período que deveriam estar descansando em casa; outros em cercas, além de novos cadeados e portões de ferro. Embora parte deles não tenha registrado boletim de ocorrência, o que dificulta o trabalho da polícia, todos reivindicam reforço no patrulhamento policial entre a meia-noite e 3h, quando os furtos estão sendo flagrados por filmagens. As invasões têm gerado um clima de tensão entre proprietários e funcionários. De acordo com eles, o alvo tem sido exclusivamente dinheiro. Já produtos, até o momento, foram ignorados.
A farmacêutica Lucinéia Modolo conta que abriu o seu próprio negócio há oito meses da quadra 10 e que, nos últimos dias, dorme com o celular do lado para acompanhar pelas imagens de câmeras se está tudo bem no estabelecimento. “A PM faz ronda aqui no encerramento do expediente. Creio que deveriam passar com as viaturas também entre meianoite e 3h. Já tentaram invadir aqui e quebraram a fechadura”, ressalta a mulher.
Em uma sorveteria próxima ocorreram dois furtos entre 28 de junho e 4 de julho, quando quebraram a porta de vidro nas duas oportunidades, levando, ao todo, R$ 142,00. Nem a Base da Polícia Militar, ao lado da rotatória entre a quadra 28 da avenida Cruzeiro do Sul e o quarteirão 1 da Rafael Pereira Martini, é capaz de intimidar os autores.
Tanto que em um açougue, o ladrão entrou por um espaço entre o portão e o telhado, que fica ao lado. Acessou o estabelecimento pelos fundos, revirou o caixa e levou uma quantidade de dinheiro não divulgada. O proprietário precisou investir em cerca tipo concertina para fechar o vão usado pelo criminoso.
Também entrou para a lista de vítimas um pet shop, onde ocorreram dois furtos, nos dias 4 e 18 de julho. Foram levados celular da empresa e pouco mais de R$ 100,00, no total. Isso porque os comerciantes, de praxe, deixam poucas notas no caixa. Neste local, o autor abriu a grade do portão. Eles fizeram o conserto no local com uma nova barra de ferro e solda. “O bandido pode até ser o mesmo em todos os locais e deve ser muito magro, inclusive, porque os espaços que ele entra são bem estreitos”, cogita uma funcionária.
REGISTRO DO BO
De acordo com o delegado Alexandre Protopsaltis, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ), o número de furtos em Bauru está muito alto. Pelos registros, nada que tenha chamado a atenção nesta região do Redentor. “Por isso que frisamos a importância de fazer o BO. Mesmo que as pessoas não tenham expectativa de reaver o que foi levado, o registro permite que a polícia concentre esforços em determinadas regiões”, disse o delegado.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, Bauru somou no primeiro semestre deste ano 2.371 furtos consumados. No mesmo período de 2021, foram 1.533. E 1.513 nos seis primeiros meses de 2020, sendo que os dois anos anteriores foram impactados pela pandemia.