Buenos Aires - Com a difícil missão de reverter a crise que assola a Argentina, o advogado Sergio Massa assumiu na noite desta quarta-feira (3) o recém-criado "superministério" da Economia e deve anunciar um pacote de medidas para tentar dar estabilidade financeira ao país que atravessa uma difícil situação cambial e inflacionária.
O "Plano Massa", como vem sendo chamado por parte da imprensa argentina, traz a expectativa é de que se sustente em dois pontos principais: revisão dos gastos sociais e fortalecimento das reservas do Banco Central para contornar a dívida argentina.
Caso as medidas venham nessa linha, o pacote marcaria um aceno pró-mercado ao trazer o ajuste fiscal para o centro da política econômica.
Massa deve anunciar uma redução dos planos de assistência sociais, que representam 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Outra medida esperada é o corte de subsídios para energia elétrica e gás --o que aumentaria o preço final para os consumidores.
A priorização do ajuste fiscal sinalizaria um alinhamento do novo ministro ao pacto da Argentina com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O presidente Alberto Fernández confirmou o acordo que, entre outras coisas, estabelece a meta de déficit fiscal em 2,5% do PIB em 2022.
Também é esperado que Massa anuncie um programa de estímulo à contratação de pessoas que recebem benefícios sociais do governo; o adiantamento do pagamento de imposto de renda para algumas grandes empresas, de abril de 2023 para 2022 e a definição de um regime especial para que títulos de dívida sejam usados para pagar dívidas fiscais.
Com as medidas, o governo espera reconquistar a confiança na economia argentina, controlar a inflação que pode chegar a 90% ao ano.