Política

Convenções acabam e Bauru tem 35 candidatos ao pleito deste ano

TISA Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Terminou, enfim, o período para a realização das convenções em que os partidos deliberaram sobre a escolha dos candidatos que disputarão as eleições de 2022 e Bauru terá 35 nomes distribuídos em 20 legendas, oficializados ao longo das últimas semanas, para concorrer a vagas de deputado estadual e deputado federal. O número é superior ao registrado no último pleito, em 2018, quando 25 políticos entraram na corrida por cadeiras na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Naquela ocasião, na soma, eles receberam 62% dos votos dos eleitores bauruenses.

Daqui a nove dias, em 16 de agosto, todos - incluindo também os candidatos a presidente da República, governador e senador - iniciarão efetivamente a campanha, conforme calendário definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Serão menos de dois meses de divulgação de suas imagens, valores e propostas em comícios, 'santinhos', caminhadas para o 'corpo a corpo' ou propagandas na Internet e imprensa escrita para conquistar eleitores, até a votação do primeiro turno, que ocorre no dia 2 de outubro.

Será uma trajetória rápida e marcada pela polarização que se instalou no País, com o tema economia como principal apelo, em razão do encarecimento do custo de vida.

COMUNICAÇÃO

Segundo o especialista em Marketing Político e Comunicação Eleitoral Kleber Santos, em uma sociedade cada vez mais conectada, terão vantagem, mais do que nunca, os políticos que conseguirem se comunicar bem, especialmente nas redes sociais.

"Nenhum candidato mais ganha eleição sem utilizar esta ferramenta. E, como 90% da escolha do voto é emocional, irão obter êxito aqueles que conseguirem, além de apresentar propostas, conquistar a simpatia do eleitor, com postagens humanizadas sobre atividades cotidianas que ajudem a construir a reputação destes candidatos", avalia ele, que é autor do livro "Entre para Ganhar" e estrategista de campanhas há mais de 25 anos.

Os concorrentes também poderão divulgar suas propostas nas propagandas eleitorais gratuitas, no rádio e na televisão, que começam em 26 de agosto. Ainda neste mês, também terão início os debates entre candidatos aos cargos majoritários. E, pela primeira vez desde 1989, parte destes encontros ocorrerá no modelo de 'pool' de veículos de comunicação, ou seja, com a união de empresas de TV, rádio, jornal impresso e portais de notícias.

"É um modelo muito comum nos Estados Unidos. Os debates, porém, embora importantes, não mudam o rumo das eleições, especialmente em uma disputa tão polarizada, em que os dois candidatos mais fortes à presidência já são bastante conhecidos da população. Debate só ajuda a alavancar campanha de quem é desconhecido. O que faz mesmo um candidato ganhar uma eleição é a narrativa, a coerência entre história de vida e bandeiras que ele defende", diz Santos.

TERCEIRA VIA?

Para a disputa à presidência, contudo, segundo o doutor em Ciência Politica e professor de Relações Internacionais Bruno Pasquarelli, a possibilidade de eleição de um nome diferente de Luiz Inácio Lula da Silva ou Jair Bolsonaro, a esta altura, é nula.

"A terceira via deveria ter sido mais bem construída. Havia um potencial de crescimento, mas não houve articulação suficiente entre os partidos que se colocavam nesta posição para uma aglutinação de forças", analisa.

PULVERIZAÇÃO

Já sobre o cenário local, com 33 candidatos em Bauru, Pasquarelli frisa que esta pulverização faz parte do processo democrático, mas pode reduzir as chances de a cidade eleger deputados, especialmente para a Assembleia Legislativa, onde o município não conta com representantes desde 2019.

"Historicamente, a região de Bauru não tem uma tradição de eleger tantos deputados. E, para piorar, muitos eleitores deixam para escolher seus candidatos para o Legislativo na última hora, no dia da eleição. É fundamental que a população já comece a pesquisar para encontrar pessoas que realmente a represente nestes cargos, que são muito importantes", completa.

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