Avaí - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou nesta segunda-feira (8) coleta de dados na Terra de Araribá, em Avaí (39 quilômetros de Bauru), para o Censo Demográfico de 2022. Neste primeiro momento, lideranças indígenas responderam aos questionários. Posteriormente, questões serão direcionadas a famílias das quatro aldeias - Ekeruá, Kopenoti, Nimuendaju e Tereguá. Uma recenseadora indígena será a responsável por conduzir todo o processo na comunidade.
"A gente começou hoje (ontem) fazendo uma reunião com os caciques. Quando a gente faz o censo em setor indígena, a gente aplica dois tipos de questionários - um para a comunidade toda, respondido pela liderança, e outro depois por família, igual ao que já é aplicado nas cidades", explica Bruno Dal Medico Hirsch, coordenador censitário de área responsável por Bauru e outras 17 cidades da região.
De acordo com ele, o trabalho de levantamento de dados na Terra de Araribá terá sequência nos próximos dias e deve durar cerca de duas semanas. A responsável pela coleta de dados será a recenseadora do órgão Kutiara Sebastião, indígena do povo Terena e moradora da aldeia Kopenoti. "Eu já comuniquei o órgão em São Paulo e eles têm interesse que ela faça a entrevista em outras aldeias do Estado", revela.
Kutiara está empolgada com o fato de trabalhar junto à sua comunidade. "Realizar o trabalho do Censo será de muita importância para as comunidades indígenas do município de Avaí", diz. Eu, como indígena, acredito que com coleta de informações sobre como vive hoje a população indígena será possível apontar indicadores importantíssimos para a construção e elaboração de políticas públicas direcionadas a esta população".
O cacique Chicão Terena respondeu ontem o questionário do IBGE relativo à sua aldeia, a Kopenoti. "Para nós, é importante que tenha indígena fazendo esse trabalho de recenseadora do IBGE, pois ela conhece toda a Terra Indígena e, com certeza, vai fazer um trabalho completo", avalia. "Nesse primeiro momento, todos os caciques já passaram informações das aldeias, quantidade de população, e cultura dos três povos que existem aqui em Araribá. Eles vão estar respeitando bastante essa questão cultural".
VISIBILIDADE
O técnico em Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE em Bauru Mateus do Amaral Bueno Arruda, que aplicou o formulário às lideranças indígenas, falou sobre a importância desse levantamento de dados para que essas comunidades ganhem mais visibilidade e tenham direitos garantidos. "Desde o Censo de 1991, o IBGE coleta informações específicas sobre pessoas que se consideram indígenas", diz.
"Isso é necessário para que os indígenas tenham visibilidade estatística, para que a gente saiba quantos eles são, onde estão, como vivem. Levantar estatísticas sobre as comunidades tradicionais (e o Censo 2022 também vai levantar informações sobre as comunidades quilombolas) é fundamental para a formulação de políticas públicas e para garantir os direitos que essa população tem pela Constituição de 1988".