Regional

Polícia apura assédio contra ex-GCM

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - A Polícia Civil de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) investiga uma denúncia de importunação sexual feita por ex-Guarda Civil Municipal (GCM) contra um colega, também GCM. Nesta terça-feira (9), a deputada estadual Isa Penna (PCdoB-SP) viajou até a cidade para acompanhar a vítima no registro de um novo boletim de ocorrência (BO), desta vez por calúnia, e para protocolar representação junto ao Ministério Público (MP) e à prefeitura cobrando providências em relação aos fatos.

Os nomes dos envolvidos serão preservados pela reportagem em razão do caso estar sob investigação. De acordo com denúncia feita pela ex-GCM à polícia, as perseguições e assédios sexuais contra ela, por parte de um guarda civil, tiveram início em 2018, antes dela ser chamada para o concurso da corporação, mas se acentuaram a partir de sua nomeação para o cargo.

No início deste ano, a vítima conta que os dois passaram a trabalhar na mesma viatura e a situação tornou-se insustentável, com abordagens no patrulhamento noturno, propostas de encontro e ameaças. Ela foi à Polícia Civil e formalizou denúncia de importunação sexual contra o GCM. Em estágio probatório, acabou tendo avaliações negativas e foi exonerada do cargo.

O delegado seccional de Botucatu, Lourenço Talamonte Netto, conta que o caso segue sob investigação. "O caso está sendo apurado pela Polícia Civil. Foi instaurado inquérito policial a respeito. Tem outras denúncias também, de outras duas guardas municipais, que sofreram difamação e injúria por parte de outro guarda municipal, e isso também está sendo apurado", afirma. Em nota, a Prefeitura de Botucatu disse apenas que "o caso está sendo apurado pela Corregedoria da Guarda Civil Municipal".

A deputada Isa Penna revela que foi procurada pela ex-GCM e decidiu ir até Botucatu para acompanhar o caso. Além de conversar com a Polícia Civil e auxiliar a vítima na complementação de seu depoimento e no registro de um novo BO, desta vez por difamações e calúnias sofridas nos meios digitais, a parlamentar iria protocolar representações junto à Promotoria de Justiça e ao Executivo cobrando providências em relação à denúncia feita pela ex-servidora.

"Nosso dever é acompanhar e garantir que as mulheres sejam atendidas com dignidade, que é o que não acontece nas delegacias no interior de São Paulo", declara. "A gente vê uma negligência, uma política de retaliação, uma omissão e um silêncio absurdos do prefeito. É uma mulher que perdeu seu emprego, sua fonte de renda, e o assediador continua trabalhando. É um absurdo e a gente não consegue ver uma situação dessa sem intervir".

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