Londres - Teria sido mesmo a Ucrânia, a responsável por atacar na terça-feira (9) uma base aérea russa na Crimeia e assustou turistas hospedados em resorts à beira-mar. Vídeos publicados nas redes sociais mostram pessoas correndo na faixa de areia e observando uma espessa fumaça preta, além do barulho de explosões e sirenes. Os vídeos obrigaram o governo ucraniano a se posicionar.
Após os ataques, pessoas que tentaram fugir da região da Crimeia ficaram presas no engarrafamento. A Crimeia, uma península ucraniana anexada em 2014 por Moscou, está na linha de frente da ofensiva militar da Rússia.
Testemunhas dizem que ouviram pelo menos 12 explosões por volta das 15h20 de terça (horário local) na base de Saky, segundo informações da Sky News. Autoridades russas afirmam que uma pessoa foi morta no ataque e cinco ficaram feridas, incluindo uma criança.
Nas redes sociais, o Ministério de Defesa da Ucrânia advertiu os turistas.
"Gostaria de lembrar a todos que a presença de tropas no território da Crimeia não é compatível com a alta temporada turística".
Nesta quarta-feira (10), o presidente ucraniano Volodimir Zelenski, afirmou que a Crimeia é ucraniana e será restaurada da ocupação russa antes do fim da guerra.
A Rússia diz que o ataque não foi um bombardeio, e sim uma explosão de munições.
"Várias munições destinadas à aviação explodiram em um depósito localizado no território do aeródromo militar de Saki, perto da cidade de Novofiodorovka", disse o Ministério da Defesa em comunicado divulgado por agências de notícias russas."
SATÉLITE
Imagens de satélite, no entanto, indicam ataque preciso contra base russa na Crimeia. A perda é maior do que a admitida por Moscou e sugere escalada imprevisível na guerra. A invasão da Crimeia pelos russos ocorreu a partir de 2014. Na época líderes pró-Rússia na região alegavam que precisavam proteger a Crimeia dos "extremistas" que haviam tomado o poder em Kiev e ameaçariam o direito de se falar o idioma russo. No início deste ano, houve um referendo no qual as pessoas foram questionadas se queriam que a república autônoma se juntasse à Rússia. Venceu o grupo dos separatistas e, pouco antes do início da guerra, Putin reconheceu a Crimeia como território russo. Não houve, na época, contestação internacional.