A poucos dias da estreia de mais uma montagem da peça "Fausto", em São Paulo, Leona Cavalli, 52 anos, tem feito uma das coisas que mais gosta: ler. A literatura a conecta com o prazer de estar sempre buscando trabalhos desafiadores. No espetáculo, baseado no texto "A Trágica História do Dr. Fausto", de Christopher Marlowe e com a direção de José Celso Martinez, ela interpreta ao demônio Mefisto, personagem visto como "pesado" ou "místico" mas que, na visão da atriz, simboliza o poder do questionamento. "A gente vive um momento de transformação dos padrões antigos. Esse conceito do Deus versus o diabo, do certo e o errado, do bem e do mal estão enraizados na humanidade desde a idade média e isso vem mudando. A peça mostra essa transformação", afirma. Leona, que é uma das fundadoras do Centro de Estudos Xamânicos de Expansão da Consciência Porta do Sol, jura que não tem feito nenhuma proteção especial para interpretar um diabo no palco. "Aprendi e ainda aprendo que tão importante quanto entrar na personagem é sair. A minha preparação se dá dentro do universo da arte. Absolutamente na arte", reconhece Leona, que evita falar de sua espiritualidade.